Às vezes, basta apenas uma lista vermelha

13 jun, 11:30
Peru no Mundial de 1978 (George Tiedemann /Sports Illustrated via Getty Images)
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FIO DE JOGO || A seleção peruana viveu o seu auge nos anos 70 e início dos anos 80, altura em que figuras como Teófilo Cubillas encantavam os grandes palcos mundiais. Para a história fica também uma camisola com um design intemporal

A seleção do Peru não enfrenta nesta altura tempos fáceis. Referências como Jefferson Farfán e Pablo Guerrero, os dois melhores marcadores da história da Bicolor, retiraram-se recentemente do futebol internacional e não há sucessores à vista. Os peruanos falharam a qualificação para este Mundial, ficando em nono no grupo único de 10 seleções da Conmebol, com um registo nada vistoso. Foram o pior ataque, com apenas seis golos – três deles no mesmo jogo, em casa frente à Bolívia – e não conseguiram marcar qualquer golo enquanto visitante.

Se 2018, o último ano em que participaram no Mundial, já parece distante, o que dizer dos tempos da sua geração de ouro, nos anos 70 e início dos anos 80. Os peruanos apuraram-se para três mundiais entre 1970 e 1982, falhando apenas o Mundial da Alemanha Ocidental de 1974. Pelo meio, venceu pela segunda vez a Copa América, em 1975, a primeira edição no novo formato da competição.

No plantel havia figuras como César Cueto, Héctor Chumpitaz e o melhor jogador peruano de todos os tempos, de quem alguns adeptos portistas se lembrarão. Teófilo Cubillas foi o expoente máximo do jogo fluído da Bicolor, com 10 golos em Mundiais e uma distinção como futebolista sul-americano do ano, em 1972.

O Mundial de 1978 foi particularmente forte para Cubillas. Marcou cinco golos, ficando apenas atrás de Mario Kempes na lista de melhores marcadores, e a equipa atingiu os quartos de final. O Peru ficou em primeiro no seu grupo, derrotando Escócia e Irão e empatando com os Países Baixos, vice-campeões em 1974 e nessa mesma edição.

Teófilo Cubillas, de branco, em ação contra a Polónia na segunda fase de grupos do Mundial de 1978. O Peru perdeu a partida por 0-1 (STAFF/AFP via Getty Images)

A segunda fase de grupos não correu tão bem. A seleção peruana não marcou qualquer golo e registou uma derrota por 6-0 frente aos anfitriões e futuros campeões, a Argentina, num encontro que os peruanos ainda hoje acreditam ter sido condicionado pelo regime ditatorial de Jorge Rafael Videla.

Não obstante, La Bicolor encantou o público e não só pela qualidade do seu futebol. 1978 foi o primeiro ano em que a Adidas vestiu o Peru e a marca alemã acertou em cheio no design da camisola principal. Não tem nada de especial, é apenas uma lista vermelha diagonal com o logo trefoil do lado direito e o símbolo da federação à esquerda, mas é precisamente a simplicidade, bem como a associação a uma identidade nacional e futebolística, que a torna icónica.

A parceria com a Adidas foi intermitente até 1985, altura em que a seleção começou a perder algumas das suas principais figuras. A parceria entre os peruanos e a marca alemã regressou em 2023. No ano passado, para rejubilo de muitos fãs em todo o mundo, a Adidas decidiu reeditar a camisola de 1978, preparada com o dorsal 10 de Cubillas, juntamente com uma linha retro de peças de fato de treino. Quanto a isto, há uma boa e uma má notícia. A boa é que ainda pode comprá-la no site oficial da marca. A má é que, tal como todas as camisolas atuais, o preço é pouco convidativo.

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