Um morto e um ferido em confrontos entre polícia e manifestantes no sul do Peru

Agência Lusa , AM
19 jan, 06:05
Confrontos no Peru (Associated Press)

Vítima mortal é uma mulher, de cerca de 35 anos. O ferido um homem, de 30 anos, que foi internado com prognóstico reservado

Uma pessoa morreu e outra ficou ferida em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, na quarta-feira, na cidade de Macusani, na região peruana de Puno, de acordo com fonte hospitalar.

Esta morte eleva para 52 o número de vítimas fatais durante os protestos antigovernamentais no Peru, que tiveram início em dezembro, segundo um balanço da agência de notícias EFE.

O Hospital San Martín de Porres de Macusani informou, em comunicado, que a vítima mortal é uma mulher, de cerca de 35 anos, e que um homem, de 30 anos, foi internado com prognóstico reservado.

Sonia Aguilar Quispe, residente de Ayapata, na província de Carabaya, é o nome da mulher, sendo que o homem chama-se Salomón Valenzuela Chua.

“Neste momento, o pessoal médico tem vindo a garantir o atendimento oportuno ao ferido que se encontra internado, e apelamos à população para que mantenha a calma e evite situações que ponham em risco a sua vida e integridade física”, concluiu o comunicado.

Os 'media' locais informaram que, durante a tarde de quarta-feira houve confrontos em Macusani entre manifestantes e as forças de segurança, que incluíram um ataque à sede judicial e ao posto policial daquela localidade, que foram incendiados.

As imagens divulgadas durante a noite mostram o incêndio nas instalações policiais e judiciais. Agentes da polícia foram retirados da esquadra de Macusani de helicóptero.

O presidente do poder Judicial, Javier Arévalo, declarou ao canal peruano N que encontra "um padrão" de ataques a instituições de segurança e judiciais durante os protestos antigovernamentais.

“Parece que alguém está a tentar destruir a atuação da Justiça e da investigação para esconder alguma coisa e isso é preocupante”, comentou.

Arévalo indicou que ataques semelhantes ocorreram noutras regiões do sul, como Cuzco, Apurímac ou Ayacucho, e pediu à Presidente Dina Boluarte para tomar "medidas não repressivas".

"Não é para tirar e atirar nas pessoas, mas sim para procurar o justo equilíbrio e pôr ordem [no país]", concretizou.

Por outro lado, a Presidente do Peru, Dina Boluarte, apelou na quarta-feira às centenas de manifestantes concentrados na província de Lima para exigirem a sua demissão para que realizem os protestos de forma pacífica.

As manifestações no Peru começaram em dezembro após Dina Boluarte (que era vice-Presidente) ter assumido a chefia do Estado na sequência da destituição do então Presidente, Pedro Castillo, pelo Congresso, acusado de tentar executar um golpe de Estado ao anunciar a dissolução deste órgão.

Desde essa altura, milhares de pessoas têm-se manifestado a pedir a renúncia de Boluarte, novas eleições em 2023, a libertação de Castillo, entretanto condenado a 18 meses de “prisão preventiva”, e justiça para as vítimas dos protestos.

Mais de 300 pessoas já foram detidas.

Na sequência dos confrontos e do elevado número de vítimas, várias organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, exortaram as autoridades a terminar com o “uso indevido da força contra a população civil” e assegurar o respeito pelos direitos humanos.

O Peru prolongou no fim de semana, por mais 30 dias, o estado de emergência em sete regiões do país, para tentar conter os protestos antigovernamentais.

A medida autoriza o exército a intervir para manter a ordem pública e suspende vários direitos constitucionais como a liberdade de circulação e de reunião e a inviolabilidade do domicílio, segundo um decreto publicado no sábado à noite.

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