Pergunta do exame nacional de Português "não viola o princípio da equidade". EduQa diz que "não é plausível" que alunos tenham memorizado respostas

Manuela Micael , notícia atualizada às 12:05
19 jun, 11:42
Pergunta exame de Português 12.º ano
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Gabinete do Ministério da Educação já emitiu parecer sobre a polémica pergunta do Grupo III do exame nacional de Português. Em causa uma questão do exame que versava sobre o mesmo objeto de análise e pedia o mesmo comentário crítico ao de outra pergunta constante de um manual de preparação para os exames da editora Leya Educação

O gabinete do Ministério da Educação Ciência e Inovação (MECI) responsável pela avaliação externa das aprendizagens, o EduQa, já emitiu o parecer técnico pedido esta quinta-feira pelo ministro Fernando Alexandre sobre a polémica pergunta do Grupo III do exame nacional de Português do 12.º ano e conclui que não fica ferido o princípio de equidade. 

"Entende-se que o acesso à resposta apresentada no livro de apoio da Leya não viola o princípio da equidade nem constitui um benefício para esses examinandos, na medida em que a competência de produção escrita decorre de uma aprendizagem complexa desenvolvida ao longo de todo o percurso escolar do aluno, não sendo possível desenvolvê-la satisfatoriamente através da simples resolução de um item com um estímulo semelhante (ou mesmo idêntico)", pode ler-se num comunicado enviado às redações esta sexta-feira de manhã.

"Durante a preparação para o exame, é provável que muitos alunos tenham resolvido diversos itens semelhantes a este, ancorados numa gama variada de estímulos visuais, não sendo plausível que tenham memorizado todas essas respostas. São exemplos deste tipo de itens os que podem ser consultados no arquivo de exames do IAVE, pelo menos desde 2021, com enunciado igual", justifica ainda o mesmo gabinete do MECI. 

Em causa, a última pergunta do exame nacional de Português do 12.º ano que pedia um comentário crítico ao cartoon do artista iraniano J.J. Takjoo "Child Labor". Uma pergunta semelhante constava de um manual de preparação para os exames da editora Leya Educação, da autoria de Carla Marques, que tinha como objeto o mesmo cartoon e, tal como a pergunta do exame, pedia um comentário crítico entre 200 e 350 palavras. 

O EduQa argumenta igualmente que a resposta à pergunta da prova constante do manual da Leya era condicionada pelo título 'E se o teu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?': "a sugestão de resposta que se encontra no referido livro de preparação para exame debruça-se sobre a relação entre o 'título' e a imagem, induzindo uma determinada linha de raciocínio". "Essa relação não é estabelecida no enunciado da prova de exame nacional de 2026, que omitiu propositadamente o título do estímulo visual, possibilitando um alargamento do campo de reflexão e abrindo caminho para interpretações da imagem mais diversificadas, de acordo com o que é esperado num item de resposta extensa. Assim, não parece aceitável considerar que um aluno que tenha utilizado o referido livro de apoio para preparação para o exame tenha obtido alguma vantagem", reforça o comunicado da EduQa, acrescentando que, para isso, o aluno teria de "memorizar a resposta dada aquando da preparação, o que se afigura muito pouco plausível, considerando que os alunos desconheciam por completo o conteúdo da prova de exame".

No comunicado, não é especificado se se avança ou não com a anulação da pergunta ou a sua repetição, soluções que eram pedidas por académicos, escritores e professores. Mas dado o resultado do parecer agora divulgado, tudo indica que a questão seja contabilizada e a correção do exame decorra normalmente.

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