CNE tem conhecimento de perfis falsos, mas só pode atuar se colocar em causa processo eleitoral

16 mai 2025, 12:28
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Até ao momento, afirma o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, não houve uma participação direta sobre a utilização de perfis falsos com o intuito de manipular a campanha eleitoral. Mas entidade tem conhecimento do fenómeno, produz relatórios e pode informar a Polícia Judiciária

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) tomou conhecimento da investigação da CNN Portugal sobre a existência de uma “estratégia coordenada” para manipular opiniões sobre partidos políticos nas redes sociais. No entanto, garante, “a não ser que ponha em causa o processo eleitoral em si” não cabe nas suas competências. 

André Wemans, porta-voz da CNE, aponta que a entidade tem já em curso uma colaboração com a plataforma Media Lab em que, entre outros fatores, analisa a existência de bots e perfis falsos utilizados para desinformar. Mas garante que, até ao momento, “não houve uma participação direta feita à CNE sobre a utilização de perfis falsos com este intuito”. 

O porta-voz aponta ainda que é frequente produzir relatórios com esse conteúdo que depois podem ser enviados às autoridades competentes, nomeadamente à Polícia Judiciária para que esteja informada e para que atue caso tenha esse entendimento. 

Já sobre o facto de esta campanha descoberta ter atuado durante o período de campanha eleitoral, a CNE reforça que apenas pode atuar caso seja produzida desinformação sobre o próprio ato eleitoral. Qualquer outra opção, seria “sindicar a própria candidatura em causa”.

Já a forma de atuar perante tentativas de desinformação sobre o ato eleitoral é “distribuindo informações para combater a desinformação”. 

A CNN Portugal publicou esta sexta-feira um relatório que demonstra que um total de 58% dos perfis que comentaram na conta oficial do Chega no X (antigo Twitter) foram identificados como sendo falsos. Os comentários serviram sobretudo para amplificar centenas de comentários pró-Chega. E esses perfis promoveram o partido como defensor da identidade portuguesa e reforçaram narrativas nacionalistas destinadas a melhorar a sua imagem pública.

Além disso, nas contas oficiais do Partido Socialista (PS), do Partido Social-Democrata (PSD), uma média de 49% dos perfis que comentaram eram falsos. As campanhas focaram-se nestes casos em desacreditar os partidos e candidatos, usando linguagem emocional para questionar a sua liderança e credibilidade. Ademais, muitos dos perfis falsos que atacaram o PS e o PSD também foram encontrados a promover o Chega e André Ventura, por vezes dentro das mesmas discussões.

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