Armadilhas inteligentes e hortelã: Pequim cria o primeiro parque "sem mosquitos" e esta é a fórmula

Agencia EFE , TFR
10 ago, 09:45
Mosquito (Pexels)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

A estratégia “antimosquitos” assenta em três frentes

O parque Yongdinghe tornou-se, graças a armadilhas inteligentes e plantas repelentes como a hortelã, o primeiro parque de Pequim “livre de mosquitos”, num projeto-piloto com o qual as autoridades da cidade procuram controlar a expansão destes insetos, cada vez mais presentes no norte da China.

Situado no distrito ocidental de Mentougou, junto ao rio que lhe dá o nome, o parque testa um plano municipal de maior dimensão que pretende moderar a presença de um animal que, embora pequeno, nos últimos anos esteve associado a surtos de dengue e chikungunya no país.

Tecnologia, natureza e prevenção

A estratégia “antimosquitos” assenta em três frentes, sendo a primeira a instalação de armadilhas inteligentes que imitam o ser humano ao libertarem dióxido de carbono e gerarem calor, um isco perfeito para atrair e capturar por sucção as fêmeas dos mosquitos, as únicas que picam.

Os dispositivos, visíveis para qualquer visitante, têm um ecrã que contabiliza em tempo real as capturas do dia, que podem chegar aos 3.000 mosquitos.

A segunda barreira nasce diretamente do solo: plantas de hortelã, campainha-chinesa ou erva-gateira, que, segundo as autoridades, ajudam a repelir os mosquitos, ocupam no conjunto cerca de 800 metros quadrados e são complementadas por processos como a esterilização do solo.

Por último, são realizadas periodicamente ações de controlo dos focos, que incluem a manutenção da vegetação ou a limpeza de poços de águas pluviais, valas de drenagem e outras zonas baixas onde possa acumular-se água.

Vários espaços da cidade já estão a incorporar algumas destas novas medidas, enquanto outros, como o parque Xiangshan, a noroeste de Pequim, apostam num método original, como a criação de peixes que se alimentam de larvas de mosquito em vários dos seus lagos.

O mosquito avança para norte

A decisão da capital chinesa de controlar os mosquitos surge depois de, há vários anos, se ter constatado que estes tendem a prolongar cada vez mais a sua atividade sazonal, bem como a sua área de distribuição.

Cheng Gong, professor do departamento de ciências médicas básicas da Universidade de Tsinghua, explicou à EFE que as condições na região norte do país são cada vez mais favoráveis à sobrevivência destes insetos.

Entre os fatores que estão por detrás desta situação encontram-se as alterações climáticas — que fazem aumentar as temperaturas e a precipitação —, o efeito de ilha de calor urbano, o aumento de pequenos recipientes com água estagnada ou a maior circulação de pessoas e mercadorias que podem importar agentes patogénicos.

A situação agrava-se quando, para além de serem incómodos, os mosquitos são portadores de vírus como o da chikungunya, que no ano passado provocou mais de 7.000 casos na província de Cantão, no sul, ou o dengue, que em 2024 registou na mesma região o maior surto dos últimos cinco anos.

Apesar de o norte da China não ser uma zona endémica destas doenças, o especialista alerta que, se a temperatura e a humidade forem favoráveis e a densidade de mosquitos atingir determinado nível, estas podem ser transmitidas localmente.

Erradicar ou controlar?

Cheng deixa claro, tal como as autoridades de Pequim, que o objetivo não deve ser a erradicação total dos mosquitos, mas sim um controlo eficaz que reduza a sua densidade, o número de picadas e o risco de transmissão de doenças.

Neste sentido, Yongdinghe é apenas o “primeiro passo” dentro do plano trienal da megacidade que, lançado este ano, pretende que, até 2028, 80% das comunidades e espaços públicos participem na iniciativa de “comunidades livres de mosquitos”.

Um objetivo que, segundo Cheng, permitirá criar uma ampla rede de prevenção padronizada que não só melhorará a qualidade de vida dos residentes urbanos durante o verão, como também reforçará a capacidade da cidade para prevenir surtos de doenças.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Ásia

Mais Ásia

Mais Lidas