O que são pequenos-almoços flutuantes, e porque ganharam tanta popularidade?

CNN , Lilit Marcus
25 nov, 23:05
Pequeno-almoço flutuante
Pequeno-almoço flutuante

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Se segue resorts de luxo ou influencers de viagens no Instagram, é provável que já lhe tenha passado pela vista um “pequeno-almoço flutuante”.

Caso não conheça, eis o que deve saber: é o típico pequeno-almoço, torrada, fruta, café, etc…do serviço de quartos de um hotel de luxo, servido numa piscina ou jacúzi em vez de servido na cama. Por norma, é colocado em tabuleiros enormes ou cestos coloridos, decorado depois com flores tropicais para lhes dar um ar ainda mais fotogénico.

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Estes pequenos-almoços são muito populares na Ásia e no Pacífico, especialmente em resorts privados em sítios quentes como Tailândia, Fiji e Maldivas.

Quase todos estão de acordo que a moda nasceu em Bali, ainda que nenhum um resort específico tenha ficado com os louros da ideia.

Se estes pequenos-almoços se tornaram moda nas ementas dos resorts nos últimos cinco anos, a sua popularidade cresceu exponencialmente com a pandemia do coronavírus, com os hóspedes a evitarem os bufetes e as salas de refeições comuns.

“Ao longo do ano passado, as refeições nos quartos ganharam muita fama, especialmente para os que procuram conforto na segurança do seu quarto”, diz Jann Hess à CNN Travel, gerente do Amanjiwo, em Bali.

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“O pequeno-almoço flutuante é uma escolha popular.”

Afinal de contas, requer uma piscina para flutuar e uma piscina privativa é uma escolha muito mais adequada do que uma piscina comum, onde uma criança a saltar para a água pode fazer revirar o tabuleiro.

Para lá do Instagram

Ainda que as cores lindíssimas e o dramático empratamento dos pequenos-almoços flutuantes os tornem perfeitos para as redes sociais, pedir às pessoas que vão para a piscina mal acabem de acordar ou sem beber um café antes, parece uma potencial receita para o desastre.

Servirão estes pequenos-almoços apenas para ser partilhados e descartados, ou será que as pessoas desfrutam mesmo deles?

James Booth, repórter da DMarge.com, sediado em Sydney, admite ter pensado o mesmo antes de experimentar um no resort de luxo em Bali, em 2019.

Contou à CNN Travel que, para ele, a luxuosa refeição funcionou melhor no conceito do que na execução. Apesar de Booth ter marcado uma hora específica para o pequeno-almoço, acabou por acordar 20 minutos mais tarde e perder a janela ideal para a degustação.

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“Percebi que o ideal não era deixar o pequeno-almoço na rua, num ambiente tão húmido.”

Mesmo com a comida a ficar fria, ele estava determinado em tirar uma foto ao requintado arranjo para o Instagram, antes de comer. Os funcionários do hotel haviam colocado o tabuleiro numa zona separada da piscina, mas ele passou-o para uma zona maior para emoldurar o cenário.

O tabuleiro acabou por começar a flutuar em diferentes direções e ele a tentar encurralá-lo, ainda de olho meio fechado.

“Tive vergonha de pedir ajuda, pelo que entornei tudo por todo lado. Entrou água da piscina para o café e o pão ficou empapado.”

 

No entanto, Booth culpa-se a mim mesmo e não aos funcionários do resort que organizaram a refeição.

“Acho que é algo violento ir para a água mal acordamos”, diz ele.

Se repetisse a experiência, mudaria algumas coisas, nomeadamente beber primeiro o café para acordar melhor e não andar a derrubar nada, e procurar uma zona da piscina onde comer descansado em vez de andar descoordenadamente pela piscina.

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Flutuar a ideia

O pequeno-almoço flutuante rapidamente se tornou em mais uma comodidade dos hotéis de luxo, como o chá da tarde ou as iguarias extra. Em plena pandemia, os viajantes domésticos que aproveitaram as estadias mais acessíveis, também se renderam aos pequenos-almoços flutuantes.

Timo Kuenzli, gerente do resort Cape Fahn, em Koh Samui, diz que, no último ano, quase todos os hóspedes pediram um.

“Nota-se claramente que o mercado asiático é um mercado mais virado para providenciar momentos dignos do Instagram.”

Para além das belíssimas fotos, também servem de publicidade gratuita, pois as pessoas veem as fotos dos pequenos-almoços, vão averiguar o local e depois também pretendem a mesma experiência quando ficam hospedadas no Cape Fahn.

E graças à sua crescente presença, os resorts têm de ir elevando a fasquia para que a sua oferta sobressaia.

O Six Senses Uluwatu, em Bali, serve os seus num cesto vermelho em forma de coração. O Anatara, em Koh Phangan, Tailândia, oferece uma extravagância flutuante de “sunset sushi”. Cape Fahn está a trabalhar numa experiência de chá da tarde flutuante.

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Independentemente da opinião pessoal sobre as ofertas dos hotéis direcionadas ao Instagram, parece que estas refeições flutuantes são uma moda que veio para ficar.

Mas não se esqueça de beber o café primeiro.

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