As pensões de setembro começam a ser pagas hoje e os reformados poderão sentir dois efeitos na pensão. Primeiro, o suplemento extraordinário, que vai dos 100 aos 200 euros. Depois, o retorno das novas tabelas de IRS, como já terá sentido em agosto. Ainda assim, esta parte do IRS não vai ter grande impacto para a maioria dos pensionistas
É a partir desta segunda-feira que os pensionistas vão começar a receber o suplemento extraordinário prometido pelo Governo. E, repetindo o que já aconteceu em agosto, haverá também um ajuste no IRS retido, para refletir as novas tabelas deste imposto.
Primeiro o suplemento extraordinário: 200 euros para pensões até 522,50 euros, 150 euros para pensões dos 522,50 aos 1.045 euros, 100 euros para pensões entre 1.045 e 1.567,50 euros.
Esta última é a parte que vai pesar mais no bolso dos pensionistas em setembro, uma vez que mais de metade dos reformados recebem pensões até aos 500 euros, valor que está isento de retenções na fonte. Ou seja, não muda nada para a maioria em termos de IRS.
Com as novas regras ficam, em agosto e setembro, livres de impostos as pensões até aos 1.116 euros.
A partir de outubro passam a aplicar-se as tabelas definitivas. E, para as pensões acima destes 1.116 euros, a poupança não será nada de significativo face ao que se praticava no início do ano: até aos 1.500 euros não haverá, na maioria dos casos, um encaixe mensal acima dos 10 euros.
O aviso que os especialistas em matéria fiscal têm deixado em relação ao IRS também se aplica aos pensionistas: vai estar a descontar menos agora, mas prepare-se em 2026 para um reembolso menor – ou mesmo para pagar imposto.
Vamos a exemplos concretos, com a ajuda das simulações feitas pela consultora Ilya para a CNN Portugal.
Caso 1: pensão de 500 euros
Conte só com mais 200 euros em setembro, devido ao suplemento extraordinário. É a única alteração. As pensões de 500 euros estavam isentas de IRS e assim continuam. Em setembro leva para casa 700 euros, nos restantes meses 500.
Caso 2: pensão de 750 euros
Conte só com mais 150 euros em setembro, devido ao suplemento extraordinário. É a única alteração. As pensões de 750 euros estavam isentas de IRS e assim continuam. Em setembro leva para casa 900 euros, nos restantes meses 750.
Caso 3: pensão de 1.000 euros
Se é o seu caso, prepare-se para receber mais 183 euros em setembro. Destes, 150 euros são do suplemento extraordinário, o restante do IRS. Até julho, este pensionista fazia uma retenção de 33 euros. Em agosto e setembro não retém nada. Em outubro, passa a reter 32 euros. Ou seja, vai ganhar mais um euro por mês até ao final do ano do que no início de 2025. Em resumo, até julho recebia 967 euros, em agosto foram 1.000, em setembro 1.150, a partir de outubro 968 euros.
Caso 4: pensão de 1.250 euros
São mais 199 euros em setembro, 100 do bónus e 99 por efeito do IRS. Este reformado retinha, até julho, 100 euros. Em agosto e setembro, essa retenção passa a ser de um euro, para permitir o ajuste à custa das novas tabelas do imposto. A partir de outubro, o mesmo pensionista passa a reter 94 euros, ficando-lhe no bolso mais seis euros por mês do que no início do ano. Em resumo: de janeiro a julho recebia 1.150, em agosto foram 1.249, em setembro são 1.349, a partir de outubro 1.156 euros.
Caso 5: pensão de 1.500 euros
Setembro traz mais 258 euros para este reformado. Se até agora fazia uma retenção de 166 euros, em agosto e setembro esse valor passa para oito euros. Contas feitas, uma devolução de 158 euros. A isto junta-se o suplemento, que é de 100 euros. A partir de outubro, passa a fazer uma retenção de 155 euros, conseguindo levar para casa mais 11 euros do que no início do ano. Até julho, este pensionista recebia 1.334 euros, em agosto foram 1.492, em setembro 1.592, a partir de outubro serão 1.345.