Pedro Nuno Santos não se demite. "Esta é uma falha relevante que assumo mas que não mancha"

30 jun, 17:02

"Obviamente" que fico, respondeu aos jornalistas, apontando para "erros de articulação" e de "comunicação" que resultaram na publicação do despacho sobre a estratégia Montijo/Alcochete para o novo aeroporto de Lisboa, que foi revogado esta quinta-feira pelo primeiro-ministro

O ministro das Infraestruturas e da Habitação afirmou esta quinta-feira que não se vai demitir após ter sido desautorizado pelo primeiro-ministro e ver o despacho da sua nova solução para o aeroporto de Lisboa revogado. A confirmação foi feita pelo próprio Pedro Nuno Santos, acrescentando que "esta é uma falha relevante que assumo, mas que não mancha aquilo que é o trabalho já longo com o primeiro-ministro".

Questionado de forma breve no final da declaração sobre se se vai manter no Governo, Pedro Nuno Santos respondeu "obviamente", sustentando que esta falha "não é suficiente" para esquecer a caminhada que o ministro e Costa fizeram "em conjunto" para conseguirem "a liderança do PS e construir uma solução política inovadora na qual poucos acreditavam”, explica, apontando para a geringonça como um "trabalho partilhado".

Na sede do seu Ministério, na avenida Barbosa du Bocage, garantiu que lamenta "toda esta situação criada à volta do despacho" e salientou que a crise política teve origem em "erros de comunicação" e de "articulação dentro do Governo" que são da sua "inteira responsabilidade". "Queria reconhecer, perante o primeiro-ministro e perante o Presidente da República, que estas falhas tiveram consequências e causaram esta situação pela qual me penalizo profundamente", acrescentou.

A controvérsia teve início esta quarta-feira quando, no final da tarde, o Ministério das Infraestruturas publicou um despacho onde define a solução para o novo aeroporto: acelerar a construção do aeroporto do Montijo de forma a que fique operacional até 2026 e avançar, ao mesmo tempo, com a construção em Alcochete até 2035, e nessa altura desativar o aeroporto no centro da cidade de Lisboa. Assinado sem nenhum partido da oposição ter o seu conhecimento, o ministro contrariava assim aquilo que Costa defendia sobre o novo aeroporto:  é preciso "consenso nacional suficiente" para poder ser tomada uma decisão "final e irreversível".

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, que mantém a pasta até indicação contrária pelo primeiro-ministro, refere que as falhas tiveram também origem em uma "vontade de querer realizar" que "levou a que esse procedimento e objetivo não fosse concretizado", "nomeadamente a procura ativa pelo consenso da realização de uma infraestrutura com a importância de um aeroporto".

 

Pedro Nuno Santos fala aos jornalistas sobre a polémica em torno do novo Aeroporto de Lisboa/ LUSA

 

Pedro Nuno Santos adiantou que tem mantido uma "relação profissional, mas também de amizade" com António Costa e que a publicação do despacho sobre o novo Aeroporto de Lisboa produziu "consequências negativas". "Queremos obviamente ultrapassar este momento e retomar a nossa relação de confiança de trabalho", sublinhou. 

Depois do erro que o levou a São Bento de urgência esta quinta-feira, o ministro comprometeu-se a seguir o procedimento definido pelo primeiro-ministro de criar consensos a nível parlamentar, "nomeadamente com o principal partido de oposição", almejando a estabilidade relativa a matérias relevantes ao futuro do novo Aeroporto de Lisboa.

No comunicado enviado às redações durante a manhã desta quinta-feira em que "determinou ao Ministro das Infraestruturas e da Habitação a revogação do Despacho ontem publicado sobre o Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa", consta também um aviso a Pedro Nuno Santos sobre a necessidade de ter consensos. "A solução tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular  com o principal partido da oposição e, em circunstância alguma, sem a devida informação prévia ao senhor Presidente da República".

No início de junho, António Costa também tinha reforçado que esperava pelo novo líder do PSD, Luís Montenegro, para uma decisão sobre o aeroporto, pelo que o anúncio das Infraestruturas apanhou a oposição de surpresa, nas vésperas do seu 40.º Congresso Nacional. “Neste momento, aguardo que no próximo mês tenhamos um novo líder da oposição para saber se o acordo é Montijo, se é Alcochete, qual é o acordo. Pela minha parte, conheço as 20 boas razões para uma localização, as 20 boas razões para a outra localização e todas as razões para que nenhuma seja boa”, declarou o primeiro-ministro na ocasião.

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