A aplicação surge numa altura em que se sabe que há cada vez mais jovens a ler e, de acordo com um estudo da APEL, se vendem cada vez mais livros em Portugal, e é, segundo o seu criador, fácil de utilizar. E até o receio de perder o livro que é emprestado é tido em conta
Pedro Dias tem apenas 23 anos e o desenvolvimento de software não faz parte da sua formação académica. Mas quando começou a pensar numa forma de registar os livros que emprestava a amigos e familiares, a aplicação Boop começou a ser desenhada na sua cabeça e aquilo que era para ser um registo mais familiar acabou por se tornar numa app que pode ser usada por todos.
Disponível para Android e para iOS, a aplicação criada de "forma autodidata" pelo jovem formado em Engenharia Mecânica quer dar oportunidade a quem gosta de ler de emprestar e requisitar livros físicos como se de uma biblioteca se tratasse.
"Tive a ideia, há cerca de três, quatro meses. Primeiro tive a ideia de ter uma base mais familiar e de amigos, porque sentia que faltava alguma coisa para nos ligar, porque nunca sabíamos que livros é que cada um tinha. E então, quando uma pessoa queria ler e outra pessoa tinha o livro, já não sabia quem é que tinha. Pensei numa forma de facilitar essa conexão e esse empréstimo. E depois, neste processo de pensar como é que poderia fazer algo pensei 'porque não alargar isto para dar para qualquer pessoa entrar'? E a aplicação surgiu por ter pensado no conceito mais fácil e mais dinâmico de resolver os problemas", explica o jovem da Maia, Porto, à CNN Portugal.
O conceito de aplicação estava pensado e o facto de Pedro ter descoberto que várias pessoas próximas sentiam que conseguir comprar "um livro já não é uma coisa assim tão acessível para pessoas que leem muito frequentemente", fez com que a Boop começasse a ganhar foram.
"Claro, existem outras possibilidades. Existem bibliotecas físicas, públicas, agora até existe a BiblioLed. Mas como sei que há pessoas que dão valor a comprar o livro e a tê-lo, mas há outras pessoas, tal como eu, que dão mais valor ao ler o livro físico e não necessariamente a tê-lo, decidi avançar", explica, acrescentando que "quando surgiu a BiblioLed isto já estava também numa fase de desenvolvimento. Muita gente sentia que era uma grande ferramenta, muito útil, mas continuava a não ser útil para elas porque davam esse valor ao livro físico".
A aplicação surge numa altura em que se sabe que há cada vez mais jovens a ler e, de acordo com um estudo da APEL, se vendem cada vez mais livros em Portugal, e é, segundo o seu criador, fácil de utilizar. E até o receio de perder o livro que é emprestado é tido em conta.
"A aplicação, assim, de uma forma geral, funciona para ser uma biblioteca de uma forma moderna, simplificada e acessível a toda a gente. O conceito base é construir a biblioteca pessoal, ou seja, a pessoa adiciona os livros - apenas os seus livros que está disposta a emprestar - e adiciona à sua biblioteca pessoal, e todas as outras pessoas podem aceder e ver quais são os livros que existem. A pesquisa dos livros pode ser feita por título, por autor, por categoria do livro ou por localidade do dono. A pesquisa por localidade é essencialmente para facilitar o facto de nós escolhermos e procurarmos livros próximos de nós, para facilitar a entrega e a devolução", indica Pedro.
Mas para que os utilizadores consigam "requisitar" livros é preciso que tenham boopings - a moeda digital da aplicação - na conta.
"A moeda da aplicação é o nosso incentivo para emprestar. Ganha-se quando se empresta e utiliza-se para pedir livros emprestados. Quando se cria a conta cada utilizador recebe 20 boopings, para permitir começar a pedir empréstimos sem ter de emprestar. Depois vamos precisar de mais e isso vai-nos incentivar também a emprestar os nossos livros, não estar só a usufruir, mas também a dar", esclarece o responsável, sublinhando que há ainda várias recompensas conforme são cumpridos objetivos como devolver o livro a tempo e dar reviews sobre o que se leu.
Na aplicação, que vai concorrer diretamente com a BiblioLed, é possível requisitar livros desde um mês até um ano. Um ano? Sim, "para permitir, também, que não tenha a limitação, por exemplo, de uma biblioteca pública e, por exemplo, se quiser emprestar um livro de escola, um livro de faculdade, permitir que esteja emprestado para o ano todo, para um semestre, o que seja".
Nesta troca de livros, o único custo para o utilizador é a taxa de empréstimo de 65 cêntimos - que vai servir para operar a aplicação e o seu desenvolvimento - sendo que o meio de troca é combinado diretamente entre quem empresta e quem requisita.
"Tanto a entrega como a devolução são organizadas pelos utilizadores no chat da aplicação. Eles são reencaminhados para lá e combinam, sabendo também a localidade onde está a outra pessoa, combinam como é que se vai proceder a entrega e a devolução. Podem combinar enviar pelo correio ou não, mas isso cabe a cada um decidir. O objetivo principal para esta fase de entrega e devolução do livro é que se possa ter um sistema de entregas, por exemplo, estilo Vinted, que tenha pontos de recolha que funcionem como elementos terceiros para não haver necessidade de encontro presencial", explica.
E se o livro se perder ou não for devolvido? Nesse caso, o utilizador "é reembolsado no valor do livro através de valor para gastar na aplicação".
"Por exemplo, se o reembolso for 6,50€, sendo que uma taxa é 65 cêntimos, recebe dez empréstimos gratuitos. Então, nos próximos dez empréstimos não utiliza taxa. Isto é compensação para o dono. As penalizações para quem é o beneficiário do empréstimo e acaba por ou estragar, ou não devolver o livro, ou não devolver a tempo, vão desde a perda de pontos, caso seja, por exemplo, um atraso na devolução, até à suspensão da conta e bloqueio da conta".
Um mês depois do lançamento da Boop, a aplicação tem pouco mais de cem livros, mas o objetivo é crescer e chegar a mais leitores.