PCP: Carvalhas elogia Paulo Raimundo mas alerta que “não é só um líder” que projeta partido

Agência Lusa , MJC
12 nov, 13:06
XX Congresso PCP

O antigo secretário-geral do PCP elogiou Paulo Raimundo, definindo-o como um ouvinte que “tem atenção àquilo que é dito”

O antigo secretário-geral do PCP Carlos Carvalhas elogiou Paulo Raimundo, classificando-o como um ouvinte que “tem atenção àquilo que é dito”, mas avisou que “não é só um líder” que projeta o partido.

“Temos um jovem que entrou para os órgãos executivos quando eu era secretário-geral, era um jovem generoso, com uma capacidade importante de ouvir e de ter em atenção àquilo que é dito”, descreveu, qualidades que crê que se mantêm.

Em declarações aos jornalistas, à margem da Conferência Nacional do PCP, que decorre hoje e domingo no pavilhão municipal do Alto do Moinho, no Seixal, o antigo secretário-geral do PCP, entre 1992 e 2004, realçou que a escolha de Paulo Raimundo foi "coletiva".

Questionado sobre se esta é a escolha certa numa altura em que a bancada comunista no parlamento tem apenas seis deputados e Paulo Raimundo não é um deles, sendo uma figura relativamente desconhecida do público, Carlos Carvalhas respondeu que “o futuro o dirá”.

“O futuro o dirá, mas esta é a decisão coletiva e eu creio que não é só um líder que pode projetar o partido, somos todos nós, somos todos os comunistas, todos aqueles que entendem que da projeção deste secretário-geral quem lucra não é o secretário-geral, nem é o partido, é o povo português, são os trabalhadores, são os pequenos e médios empresários”, respondeu.

Carvalhas realçou por várias vezes que esta foi uma “decisão coletiva”, tomada “depois de uma grande auscultação, pesando todos os prós e contras, sabendo que é muito exigente este cargo e sobretudo num partido como o PCP ainda é mais exigente do que noutros partidos, que necessita e obriga à resolução de problemas pessoais, familiares”.

“E, portanto, isto foi um processo que não esteve na rua, não esteve na praça, mas naturalmente teve o seu seguimento”, sublinhou.

Interrogado sobre outros nomes que tinham sido falados na opinião pública como hipóteses para suceder a Jerónimo de Sousa – como João Oliveira ou João Ferreira – Carvalhas salientou que tal facto “só mostra que é um partido que também promove os seus quadros, que trabalha”.

Sobre o legado que fica da liderança de Jerónimo de Sousa, que hoje se despediu dos delegados presentes na Conferência, Carvalhas respondeu: “Fica toda a intervenção do partido, uma intervenção em prol da defesa dos trabalhadores, do nosso país, de pequenos e médios empresários, e eu creio que isso é muito claro”.

Carlos Carvalhas ocupou o cargo de secretário-geral do PCP durante 12 anos, sucedendo ao histórico Álvaro Cunhal. Em 2004, o antigo operário Jerónimo de Sousa assumiu este cargo, que passados 18 anos deixa, para dar lugar a Paulo Raimundo.

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