Importante membro do PCC vivia no Montijo e ajudava mergulhadores a tirar toneladas de droga de cascos de navios em Lisboa

Henrique Machado , Com Lusa
11 mar 2025, 19:19
Polícia Judiciária

Gabriel Martinez Souza tem 38 anos e vivia numa moradia no Montijo. Na garagem da habitação, as autoridades nacionais encontraram duas metralhadoras, uma pistola Glock adaptada para fazer disparos em rajada e barcos e motas próprias para andarem debaixo de água - invisíveis à superfície

A Polícia Judiciária deteve um cidadão brasileiro por pertencer a uma célula em Portugal do grupo de crime organizado brasileiro Primeiro Comando da Capital (PCC), ligado tráfico de cocaína, numa ação em cooperação com as autoridades brasileiras.

Numa nota divulgada esta terça-feira, a Polícia Judiciária (PJ) adianta que o suspeito, 38 anos e residente legal em Portugal, foi detido durante uma operação denominada “Emergentes”. Sobre o detido pendia um mandado de captura internacional emitido pelas autoridades brasileiras, por este integrar alegadamente uma organização criminosa constituída no Brasil.

A CNN Portugal sabe que se trata de Gabriel Martinez Souza, 38 anos, com posto elevado na estrutura brasileira do PCC. Era um alto emissário daquela associação criminosa a Portugal - onde tinha por missão organizar as operações de desembarque de centenas de quilos de cocaína que chegavam a Portugal nas chamadas caixas de leme dos navios. O suspeito tinha como missão, no Brasil, a colocação de toneladas de droga presas aos cascos dos navios através de mergulhadores especializados e, já em Lisboa, os mergulhadores voltavam a retirar a drogas dos cascos das embarcações. 

A equipa de mergulhadores especializados era contratada no Brasil, onde acondicionavam a droga nas caixas de leme dos navios, e depois deslocava-se a Lisboa para o retirar das embalagens - entre 100 e 150 quilos de cocaína, em média

Gabriel vivia numa moradia na zona do Montijo, onde foi preso pela PJ na manhã desta terça-feira, e na garagem de casa escondia armas de guerra - entre as quais duas metralhadoras e uma pistola Glock adaptada para fazer disparos em rajada. Para além disso, foram encontrados barcos e motas próprias para andarem debaixo de água - invisíveis à superfície -, com as quais levava uma equipa de mergulhadores a fazerem discretamente o desembarque da droga sem que ninguém se apercebesse em pleno Porto de Lisboa, com os navios já atracados.

A operação, que decorreu em simultâneo em vários locais no Brasil, esteve em Portugal a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, que, além da detenção, executou ainda um mandado de busca domiciliária, tendo sido apreendidas três armas automáticas, vários milhares de euros, viaturas de gama média/alta e equipamento de mergulho.

Fonte policial contactada pela Lusa especificou que entre as três armas apreendidas estavam pistolas Glock de 9mm, idênticas às usadas pelas forças de segurança, e uma espingarda semiautomática AR15, sendo que o dinheiro apreendido até agora totaliza cerca de 30 mil euros.

A nota da PJ refere ainda que, “de acordo com os elementos de prova recolhidos, este grupo criminoso, agora desmantelado, dedicava-se à introdução de grandes quantidades de cocaína no continente europeu, por via marítima, por regra escondida em cascos de navios e nas caixas de leme”.

A fonte policial contactada pela Lusa, explicou que o homem agora detido em Portugal usava o equipamento de mergulho para retirar a droga escondida nos cascos e nas caixas de leme dos navios provenientes do Brasil, quando estes aportavam em Portugal, adiantando que o suspeito poderá estar ligado a um grupo criminoso brasileiro autointitulado Primeiro Comando da Capital.

Na operação “Emergentes”, a Polícia Federal do Brasil executou em território brasileiro 26 mandados de busca e seis mandados de detenção, no âmbito de um inquérito em que se investigam a prática de crimes de tráfico de droga, organização criminosa e branqueamento de capitais.

As investigações prosseguem, ao abrigo da cooperação policial firmada entre os dois países, sendo agora o detido ouvido em primeiro interrogatório judicial.

Uma nota da Polícia Federal brasileira, a que a Lusa teve acesso, refere que “a investigação [agora efetuada] deriva da “Operação Sólis”, realizada pelo Gaeco/MP em 07 de dezembro de 2021 a partir da prisão em flagrante de indivíduos pelo crime de tráfico internacional de drogas, no estado de Espírito Santo”, estando na altura entre os detidos “o considerado líder da organização criminosa”.

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