Montenegro defende Rangel na polémica com os militares e diz "não conhecer nenhuma queixa de nenhuma patente" - "mas posso estar distraído"

23 out 2024, 18:22
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Primeiro-ministro diz ter "total confiança" no ministro dos Negócios Estrangeiros depois de, no passado dia 4, no aeródromo de Figo Maduro, Paulo Rangel ter insultado dois militares, gritado com o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e recusado cumprimentar comandante

O primeiro-ministro Luís Montenegro diz ter "total confiança" no seu ministro dos Negócios Estrangeiros, depois de questionada a sua "conduta imprópria" perante os militares, no passado dia 4 de outubro, no aeródromo de Figo Maduro, e já depois de o ministro da Defesa, Nuno Melo, ter recusado comentar a polémica.

Ao lado de Paulo Rangel, em Faro, Luís Montenegro foi irónico, garantiu conhecer "esse episódio com minúcia" e que o mesmo nada tem para abalar a confiança no seu ministro.

O episódio a que o primeiro-ministro se refere aconteceu aquando da chegada do segundo voo de repatriamento de portugueses do Líbano, momento em Paulo Rangel terá insultado dois militares, gritado com o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o general Cartaxo Alves, e recusado cumprimentar o comandante de Figo Maduro, o coronel Abel Oliveira, como contou uma testemunha à CNN Portugal.

"Sem embargo de não conhecer nenhuma queixa de nenhuma patente, mas posso estar distraído...", começou por dizer o primeiro-ministro, sendo interrompido por um jornalista que lhe lembrou o artigo de opinião escrito pelo ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o almirante António da Silva Ribeiro, no jornal Expresso, sobre o episódio em causa e o facto de o ministro ter desrespeitado os militares. "Mas esse ex-responsável estava presente? Falou com conhecimento de causa?", devolveu Montenegro.

"Vamos então contextualizar a questão", antecipou o primeiro-ministro, apontando o dedo àqueles que querem desestabilizar o Executivo: "O ministro Paulo Rangel não tem a confiança, tem a total confiança. Se há aqui alguém que quer abanar o Governo, e abanar a presença do ministro Paulo Rangel no Governo, vá treinando porque tem muito que fazer, não vai abalar essa confiança."

Luís Montenegro considerou mesmo que fazer do que aconteceu "um caso" - "eu conheço esse episódio com minúcia, mas não vou falar dele, há uma audição no Parlamento, teremos ocasião de fazer esse esclarecimento" - não passa de "uma tontaria", lembrando a separação de poderes.

"Achar que o Governo porá em causa duas coisas: em primeiro lugar, a credibilidade e a presença do ministro Paulo Rangel no Governo; e em segundo lugar, à boleia de imprecisões, de incorreções em notícias, fazer eclodir em Portugal 44 anos depois, ou 42 anos depois da revisão constitucional de 1982, aquilo que é a repartição das responsabilidades do poder político e a sua relação com o poder militar, sinceramente, àqueles que querem percorrer esse caminho vão ter de o fazer sozinhos e vão ficar a falar sozinhos."

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