Durante as mesmas declarações, Paulo Rangel, acusou ainda o Partido Socialista e a sua direção de terem assumido uma postura “manifestamente inaceitável” relativamente à polémica em torno da Base das Lajes
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, garantiu esta segunda-feira que Portugal deu uma autorização formal para a utilização da Base das Lajes após o ataque ao Irão, rejeitando qualquer problema diplomático com os Estados Unidos.
Em declarações aos jornalistas, Paulo Rangel explicou que, antes do agravamento do conflito, a utilização da infraestrutura açoriana seguia o regime habitual aplicado nas bases europeias.
“A partir do momento em que se dá o ataque [ao Irão], houve uma autorização formal e ela foi dada. Antes disso, a Base das Lajes foi usada como todas as bases europeias em fevereiro. Em Espanha ou em Itália, todas foram usadas de acordo com o regime geral de autorizações tácitas. Não tem nenhuma diferença para nenhum país até ao dia 28 de fevereiro”, afirmou.
O governante afastou também qualquer tensão entre Lisboa e Washington sobre a matéria. “Não há nenhum problema com os EUA”, sublinhou.
Sobre as declarações de Marco Rubio, que afirmou na última semana, que Portugal terá dito “sim” antes mesmo de ter sido formalmente questionado sobre o uso da Base das Lajes, Paulo Rangel respondeu que “cada um faz as interpretações que quer”. O ministro considerou que “essas palavras não foram ditas literalmente”, sublinhando, no entanto, que “independentemente disso, mesmo que fossem, não há nenhuma acrimónia porque está tudo claro”. “Uma coisa é a situação até ao início do ataque, outra é a situação depois do ataque”, voltou a sublinhar.
As declarações "manifestamente inaceitáveis" do PS
Durante as mesmas declarações, Paulo Rangel, acusou ainda o Partido Socialista e a sua direção de terem assumido uma postura “manifestamente inaceitável” relativamente à polémica em torno da Base das Lajes, nos Açores.
“A primeira coisa que eu queria dizer é condenar veementemente a forma como o Partido Socialista, o seu secretário-geral e o seu líder parlamentar trataram este assunto [da Base das Lajes]. O governo português, e os portugueses sabem disso, num momento de crise internacional, tem como grande preocupação a defesa de Portugal e dos portugueses. Não faz chincana política com crises internacionais”, afirmou aos jornalistas.
Paulo Rangel considerou ainda que as declarações feitas pelos socialistas representam “um passo muito grave” e acusou a direção do PS de romper com a tradição do partido nesta matéria.
“Aquilo que foi dito por ambos é manifestamente inaceitável. E para o PS é um passo muito grave. Não compreendo como o secretário-geral do partido, que foi consultado e informado previamente sobre a questão da autorização das Lajes juntamente com outros líderes da oposição e com o Presidente da República na altura em funções e com o presidente eleito, nem sequer fala disso. Ele conhece este assunto melhor que ninguém porque ele foi consultado previamente”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de ser ouvido no Parlamento sobre o tema, o número dois do executivo garantiu disponibilidade para prestar esclarecimentos públicos.
“Passei a vida no Parlamento. Sendo ministro dos Negócios Estrangeiros, sou dos ministros que mais vezes vai ao Parlamento. Eu tenho uma agenda internacional nas próximas semanas, mas estou disponível, se isso for possível de acordo com as regras do Parlamento, para ir na quarta-feira. Antes do início de junho é a única data que tenho”, afirmou.
O governante acrescentou ainda que a eventual audição poderá decorrer sem qualquer caráter reservado. “Vou fazer essa sessão à porta aberta. Quanto à questão em causa, não há nenhum elemento de confidencialidade”, assegurou, acrescentando que "quem tem que dar explicações é o Partido Socialista".
