Paulo Portas: "Programa económico de André Ventura levaria a défice pior do que o de José Sócrates"

CNN Portugal , TFR
25 mai 2025, 22:18

No seu habitual espaço de comentário, o comentador acredita que "o novo líder da oposição está convencido de que, assim como fritou o PS, a seguir fritará o PSD"

No rescaldo das legislativas antecipadas do passado domingo, Paulo Portas acredita que o Partido Socialista não terá pressa em convocar novas eleições e que só o voltará a fazer quando “tiver a convicção provável de que supera o seu novo concorrente”, o Chega.

“O Partido Socialista só voltará a incentivar eleições antecipadas quando tiver a convicção provável de que supera o seu novo concorrente que o ultrapassou como segundo partido”, afirma o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), acrescentando que “o novo líder da oposição está convencido que assim como fritou o PS, a seguir fritará o PSD. Se toda a gente estiver consciente disso, a situação é, apesar de tudo, gerível”.

Sobre o futuro do Governo, Portas alerta para os desafios da governação minoritária. “Vai ter de ser um Governo com muito mais iniciativa política, com esta circunstância especial deste parlamento. Terá de negociar com todos, obviamente, porque é um Governo minoritário”, lembrando que “as matérias que poderá negociar à sua direita ou à sua esquerda são diferentes umas das outras”, ainda assim, defende que será "um Governo mais estável".

Ainda antes de se conhecer os resultados da emigração, tudo indica que Portugal vai ter um novo líder da oposição, André Ventura, que, para o comentador, “passará a ser mais escrutinado sobretudo nas propostas económicas e sociais”.

“O programa económico dele [André Ventura] levava o superávit que temos hoje, e que custou muito a ter, para um défice de pelo menos 8,5%, e em algumas versões 14%. Isto é pior do que o de José Sócrates”, sublinha.

Quanto à nova liderança socialista, Paulo Portas refere que o novo rosto poderá ser menos divisivo. “Em princípio, o Partido Socialista vai ter um líder que é mais moderado em relação ao anterior. E, sobretudo, a meu ver não tem a sua imagem feita como tinha o anterior, e isso prejudicou-o”.

Já sobre o regresso das ameaças comerciais à Europa por parte de Donald Trump, não hesita em criticar. “É melhor olhar ao que ele faz e não ao que ele diz. (…) Acho que estas ameaças até podem entrar em vigor durante uns dias, mas que ele [Trump] não tem alternativa a recuar, como recuou com a China, como recuou em parte com o México e com o Canadá”.

Ainda assim, no seu comentário semanal, alertou para os setores económicos europeus que poderão ser mais afetados pelas tarifas de 50% ameaçadas por Trump: “medicamentos, máquinas, produtos eletrónicos, carros, ótica, produtos químicos e aviões”.

Sobre o estilo diplomático do presidente norte-americano, Paulo Portas deixa algumas críticas. “Ele tem uma particular irritação com a Europa, como sabemos, e em particular com dirigentes femininas europeias, já o tinha com Ângela Merkel”.

“Não aconselharia ninguém a ir à Casa Branca depois do último espetáculo, um teatro em que está transformada a política exterior americana com transmissões em direto da Sala Oval, isso não é diplomacia, não se recebem mal as pessoas”, acrescenta, numa clara referência à receção polémica do presidente da África do Sul em Washington.

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