Aos 150 dias de guerra, o que aconteceria se Putin fechasse a torneira do petróleo? A análise de Paulo Portas

24 jul, 22:54

O impacto do acordo para a exportação de cereais, o novo paradigma que a inflação está a forçar, uma economia que se prepara para bater um recorde na produção de riqueza e a situação política norte-americana. Antes das férias, Paulo Portas traça um retrato sobre o estado do mundo

Se Putin “fecha a torneira” do gasoduto Nordstream 1, avisa Paulo Portas, o mundo tem de ser preparar para restrições no consumo de energia. “O assunto é muito sério. As pessoas não estão preparadas para perceber que, se isto acontecer, haverá restrições”, afirmou este domingo no “Jornal das 8” da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal.

Citando um estudo do Fundo Monetário Internacional, o comentador concretizou que Hungria, Eslováquia, Itália e República Checa levarão “um rombo enorme” nos respetivos PIB nesse cenário. Só a Hungria pode perder 6,5% do PIB, concretizou.

“Portugal, como não compra gás à Rússia, não é afetado pelo ajustamento severo” mas poderá sofrer os efeitos por outras vias, concretizou.

Maior prudência, à custa da inflação

Quando se assinalam os 150 dias de guerra na Ucrânia, Paulo Portas também destacou o impacto na subida da inflação e na subida das taxas de juro. “Terminou o dinheiro barato”, resumiu. Para Paulo Portas, é difícil perceber onde vai a subida das taxas de juro mas insistiu que a sociedade deve preparar-se para um novo paradigma, obedecendo a um “raciocínio mais prudente”.

Um rápido sinal positivo

O impacto do conflito faz-se também sentir na exportação de cereais, tendo a Ucrânia e a Rússia chegado a acordo neste domínio. “É a primeira vez que há um sinal positivo em 150 dias”, considerou Paulo Portas.

Contudo, os sinais que se seguiram a esse pacto não auguram um fim próximo do conflito. “O comportamento de Putin é próprio de quem não se preocupa com o valor da sua palavra”, tendo em conta o ataque a Odessa, rematou o comentador.

Para Paulo Portas, o “risco” do acordo está no facto de os cereais serem transportados por navios ucranianos, sujeitos a ataques russos.

100 Triliões

Apesar deste cenário de dificuldades económicas e guerra, o mundo continua a produzir riqueza. Em 2022, vai superar a barreira dos 100 triliões de dólares. Paulo Portas explicou, no “Global” deste domingo, que os Estados Unidos da América representam um quarto da economia do mundo. Segue-se a China, que representa um quinto. Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido e França completam a lista das sete maiores economias do mundo. Praticamente metade do crescimento do mundo está na Ásia, destacou ainda.

América: “uma mistura de Reagan e Obama”

Neste “Global”, Paulo Portas avaliou ainda a situação política nos Estados Unidos da América. O comentador citou um estudo onde se concluiu que 64% dos democratas escolheriam outro candidato que não Joe Biden, à custa da avançada idade do atual presidente. Já 46% dos democratas preferiam outra opção que não Donald Trump.

“Eles precisavam de alguém tão inspirador como uma mistura de Ronald Reagan e Barack Obama”, defendeu Paulo Portas, que falou num país “fraturado e dividido”.

Passaportes: as vantagens do português

Antes de uma pausa para férias no habitual espaço de comentário, houve ainda tempo para avaliar os melhores passaportes do mundo. Nesta lista, liderada por Japão e Singapura, também figura Portugal.

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