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Global: “Timing da intervenção” contra inflação “é tardio”. “Não há sinais de que as coisas vão melhorar, pelo contrário”

4 set, 21:52

O comentador criticou o facto de o governo ter adiado a tomada de decisões quanto ao impacto da inflação e diz que as medidas a serem anunciadas entrarão apenas em vigor em outubro

No Global desta semana, Paulo Portas considerou que o “timing da intervenção” do governo face à inflação “é tardio”. “A inflação em Portugal passou os 2% em novembro do ano passado, em janeiro deste ano já estava em 3% e a partir daí foi sempre a subir”.

“Não é preciso ter grande conhecimento para perceber o que aconteceu. A burocracia do Ministério das Finanças foi adiando, adiando, adiando o mais que podia a tomada de quaisquer decisões”, disse, alertando para o facto de as decisões que serão entretanto anunciadas “só entrarão em vigor em outubro”. “Portanto, teremos apenas três meses, do ponto de vista orçamental, em vez de termos tido seis ou nove”. 

“Quanto ao tom da intervenção”, continuou, os governantes “deviam falar ao país com realismo e com verdade”. “Houve três coisas que mudaram na vida dos países, na vida das famílias e na vida das empresas, mudou a inflação, mudaram as taxas de juro e mudaram as dívidas, precisamente por causa das taxas de juro”.

“Não há sinais de que as coisas vão melhorar, pelo contrário, há alguns riscos de que possamos, como europeus, entrar em períodos recessivos”, alertou, frisando que “tem de haver flexibilidade” nas medidas tomadas, mas que as medidas relacionadas com o IVA “são mais rápidas de implementar”.

Inflação "não cresceu em cadeia"

Ainda sobre a inflação em Portugal, Paulo Portas explicou que, no mês de agosto, “não cresceu em cadeia, o que é um sinal bom”, mas que tal não é suficiente para não olhar para o cenário por preocupação. “Se verificarmos como está o índice harmonizado dos preços ao consumidor, que é aquele que é contabilizado do ponto de vista europeu, estamos 9,4% acima da média europeia”.

Mas Paulo Porta quis dar destaque à “inflação alimentar”, aquela que classifica como “parente pobre da inflação”, mas que “está a tornar-se naquilo que é mais ameaçador tanto para as famílias com poucos rendimentos como para as famílias de classe média”.Olhando para o preço dos alimentos não processados, o valor está “a subir compulsivamente”.

No seu espaço semanal de comentário, o comentador falou ainda da inflação subjacente, “aquela que fica quando se retiram os fatores mais conjunturais, como são os preços da energia e da alimentação não processada”. Esta, diz, já está em 6,5%, dois terços da inflação geral e acima do valor da Zona Euro. Esta dá sinais de ser “mais longa, mais prolongada e mais severa”.

No espaço de análise no Jornal das 8 da TVI (que pertence ao mesmo grupo da CNN Portugal), Paulo Portas analisou ainda o impacto dos turistas estrangeiros no PIB português e as últimas notícias da guerra na Ucrânia.

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