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opinião

Portas vê Trump a protagonizar "um erro um pedacinho parecido com o que Putin fez"

29 mar, 22:23

O comentador faz uma análise do primeiro mês de guerra no Médio Oriente, focando na figura de Donald Trump, cuja palavra deixou de ser “compreendida nem respeitada pelos mercados”

Paulo Portas considera que foi um “disparate enorme de diplomacia pública” a decisão de Israel de proibir orações no Santo Sepulcro neste Domingo de Ramos, dizendo que “revela o grau de fanatização numa ala do governo de Israel”.

Quando se assinala um mês de guerra no Médio Oriente, o comentador da TVI vinca que a administração Trump “nunca foi clara” quantos aos objetivos da investida com Israel no Irão.

E acusa o presidente norte-americano de fazer algo parecido ao homólogo russo. “É um erro um pedacinho parecido com o que Putin fez: esperava tomar a Ucrânia em menos de uma semana e vamos em mais de quatro anos”, afirmou.

Para Portas, “os americanos esqueceram-se do fator Ormuz e não têm uma solução para desbloquear o estreito”. Contudo, há um risco que se junta à lista: o de Teerão bloquear o Estreito de Bab El-Mandeb.

“E é um estreito mais estreito ainda do que o de Ormuz, que está dividido em dois corredores, tem algumas ilhas pelo meio, e que pode chegar aos sete milhões de barris”, descreve.

Questionado sobre a possibilidade de os EUA estarem a preparar uma invasão terrestre ao Irão, o analista reforça que “isso torna o risco para a vida física dos soldados americanos muito maior porque os expõe no território a ações de guerra e de guerrilha”.

Perante as posições sempre contraditórias do presidente norte-americano, Portas considera que esta semana, pela primeira vez, “mercados deixaram de respeitar a palavra de Donald Trump”.

“É um grande risco para o Presidente dos Estados Unidos que a sua palavra já não seja compreendida nem respeitada pelos mercados”, argumentou.

Neste Global, Portas destaca ainda o excedente orçamental em Portugal, que dá ao país “uma certa ajuda neste ano que vai ser difícil”.

“Eu concentraria todas as medidas possíveis em melhorar a nossa competitividade e em animar os nossos empresários”, aconselha.

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