O comentador considera que António José Seguro foi eleito Presidente da República acima de tudo por António José Seguro ter sido "constante, sóbrio", numa campanha que "mediu quem tinha perfil para ser Presidente e quem não tinha"
Paulo Portas considera "manifestamente exagerado" o líder do Chega, André Ventura, autoproclamar-se o "líder da direita" após perder as eleições presidenciais para António José Seguro.
"Parece-me uma declaração manifestamente exagerada, porque se é verdade que é, entre aspas, o líder da direita, então teve o pior resultado desse setor político em eleições presidenciais", afirma o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) no Global desta semana, no Jornal Nacional.
Para Paulo Portas, André Ventura desvalorizou um "problema" que vai ter de enfrentar - e já enfrentou - noutras eleições que não se resumem a um boletim de voto com dois nomes. "O boletim de voto que mede a força dos partidos costuma ter 10, 12, 14 opções. O problema do candidato derrotado é que não estava a AD no boletim de voto. Em condições normais estará", vinca o comentador.
"Portanto, parece-me muito exagerado, porque num boletim de voto normal ele [André Ventura] tem de enfrentar a AD - e até agora a AD ganhou-lhe", reforça.
No entender de Paulo Portas, "quem deu a vitória a António José Seguro foi o grande centro", que define como "o espaço que vai do centro-direita até ao centro-esquerda" e onde "as pessoas podem ter opiniões diferentes, mas não querem acabar umas com as outras".
Mais do que isso, prossegue o comentador, António José Seguro "foi, antes de tudo o mais, eleito por ter sido constante, sóbrio", numa campanha que "mediu quem tinha perfil para ser Presidente e quem não tinha".
"E acho que isso condiz, tanto quanto conheço, com a personalidade dele [de António José Seguro]. Ou seja, o que foi em campanha, será também, em boa medida, o que será como Presidente", assevera Portas.