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"Não me parece justa a ideia de que o Governo não geriu bem" o apagão e "é muito estranho ver socialistas a culparem a privatização da REN"

4 mai 2025, 22:09
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No Global desta semana, Paulo Portas começa por analisar a gestão da crise do apagão que deixou Portugal e Espanha às escuras. O comentador da TVI abordou ainda o acordo dos minerais raros assinado entre os EUA e a Ucrânia, a guerra comercial entre EUA e a China, as eleições no Canadá, o novo governo da Alemanha e o conflito entre a Índia e o Paquistão

Paulo Portas não compreende as críticas à gestão da crise do apagão por parte do Governo e admite que acha "muito estranho ver socialistas a dizerem que a culpa é da privatização" da REN, lembrando que, se assim fosse, "o responsável pela privatização foi quem negociou o memorando com a Troika".

Sobre as críticas à comunicação tardia por parte do Governo, Paulo Portas afirma que o ministro da Presidência, o ministro da Defesa e o primeiro-ministro portugueses "falaram bastante antes" dos seus homólogos espanhóis. "Duas horas antes, sabendo menos, porque os espanhóis sabiam obviamente mais. Portanto, não me parece, com toda a franqueza, uma crítica razoável."

"Também não acho razoável a ideia de que a culpa é de que a REN foi privatizada", acrescenta o comentador da TVI, lembrando que a privatização da REN estava incluída no memorando da Troika. "É muito estranho ver, no mundo digital, socialistas dizerem que a culpa é da privatização. Não é de todo e, se fosse, o responsável pela privatização foi quem negociou o memorando com a Troika", argumenta.

Apesar de dar boa nota à gestão do Governo da crise do apagão, Paulo Portas admite que "há coisas que não correram bem", referindo-se ao SIRESP. "É já a terceira ou quarta emergência em que chegamos todos à conclusão que o SIRESP não funciona bem. E também me faz um pouco de espécie - é evidente que se há um apagão elétrico, também há consequências nas telecomunicações - ,as eu não sei se é obrigatório que as consequências sejam quase um apagão total."

Depois de analisar a guerra na Ucrânia, o conflito entre o Paquistão e a Índia e a guerra comercial dos EUA, Paulo Portas voltou novamente as atenções para o território nacional, desta vez para analisar o crescimento económico, que, diz, "no início do ano não esteve nada bem". 

"Comparado com o quarto trimestre do ano passado, o quarto trimestre do ano passado foi mais que bom. Foi 1,5% de crescimento. Portanto, é evidente que o primeiro trimestre, que genericamente não é um trimestre muito entusiasmante em termos económicos, na tradição, seria abaixo disso. Mas foi abaixo do que era expectável. E, portanto, nós tivemos uma certa retração do consumo privado, tivemos uma certa demora dos investimentos, tivemos mais importações do que exportações", explica.

Apesar do cenário menos positivo, Paulo Portas admite que "é recuperável o caminho para termos os 2% que o FMI prevê de crescimento este ano, muito acima da média Euro".

"Nós precisamos que, nos próximos três trimestres, a economia cresça em média 0,7% para chegar ao fim do ano com 2%. Se queremos chegar aos 2,4%, precisamos que cresça 0,9%. Eu acho que é possível, o passado mostra isso", assume, deixando depois um aviso para o próximo governo: "Quem pode governar o país tem de moderar um bocadinho as expectativas dos cenários macroeconómicos, porque o mundo está numa turbulência e numa incerteza que impacta todos e nós não sabemos quando termina e que intensidade terá."

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