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“Os chineses devem estar assombrados com a incompetência militar de Putin”. A análise de Paulo Portas

PF
20 nov, 21:52

Comentador analisa, no programa "Global", a cimeira do G20 e a queda de um míssil na Polónia

O comentador Paulo Portas considera que a última reunião do G20, que decorreu em Bali neste mês de novembro, foi “muito importante”. “Acaba por provar que é mais eficiente que o Conselho de Segurança das Nações Unidas”, afirmou, no seu espaço de comentário “Global” no Jornal das 8 da TVI.

O comentador destaca os papéis de Joe Biden e Xi Jinping. Sobre o presidente americano, Portas releva que saiu de umas eleições intercalares “que lhe correram francamente melhor que o esperado”, enquanto o presidente chinês viu nele serem concentrados poderes “como não se via desde Mao Tsé-Tung”.

“Eram dois líderes reforçados, uma coincidência oportuna. Têm mais margem de manobra, não têm de estar a pensar permanentemente nas questões internas”, afirma, referindo que ambos “fizeram um esforço para desescalar”.

Sobre a questão de Taiwan, uma das mais complicadas entre Estados Unidos e China, Paulo Portas afirma que a “clarificação” que Biden fez, assegurando que não vê como iminente uma invasão da ilha, ajuda no desanuviar das tensões. Por outro lado, diz, a guerra na Ucrânia fez com que os “falcões de Pequim pensassem o que aconteceria no caso de uma guerra convencional em Taiwan”.

Sobre Vladimir Putin, que não se deslocou à Indonésia, Portas lembra a cimeira do G20 a seguir à anexação da Crimeia, em que quase foi “colocado à parte e quase ninguém queria falar com ele”.

“Desta vez era pior. Imagine o que Putin terá dito a Xi Jinping quando fez a invasão. Deve ter dito que era rápido, simples e triunfal. O que tem ele para dizer a Xi Jinping agora?”, questiona o comentador. “Os chineses devem estar assombrados com a incompetência militar de Putin. Nada correu como ele disse que correria”.

Paulo Portas vai mais longe, e afirma que o presidente russo não participou na cimeira de Bali por “vergonha, incómodo, memória e porque, de facto, está muito mais isolado e corre o risco de os seus principais aliados perderem a paciência”.

Sobre a guerra na Ucrânia, o comentador aborda a possibilidade de um cessar-fogo “sem a existência de uma negociação”, que considera que seria um “favor a Putin”. “[A Rússia] está em grandes dificuldades e precisa de tempo para reorganizar. Se for só um cessar-fogo, pode ser uma ilusão que custará caro mais à frente”.

Ainda assim, Paulo Portas destaca alguns “sinais positivos” para uma eventual negociação, como o “desconforto” da China com Putin e o “grau de exigência dos Estados Unidos em relação à Ucrânia”, bem como “alguma divergência” entre civis e militares em Washington.

Paulo Portas analisou ainda um dos momentos mais importantes da semana, quando um míssil caiu em território polaco, matando dois habitantes de uma pequena aldeia junto à fronteira com a Ucrânia. “Acho que toda a gente no mundo, em particular no Ocidente e na Europa, teve 24 horas com a respiração em suspenso”, começou por dizer, antes de elogiar Joe Biden por gerir “com enorme sangue frio” todo o incidente.

“Imaginem que o presidente dos Estados Unidos era Donald Trump. Já imaginaram o que seria Trump a escreve tweets impulsivos sobre os mísseis que caíram na Polónia e nas consequências que isso teria tido? Faz toda a diferença ter alguém experiente e não impulsivo”.

Sobre a atuação de Volodymyr Zelensky, Portas considera que o presidente ucraniano se precipitou ao acusar a Rússia de ter atacado a Polónia, mas alertou para a necessidade de perceber o contexto. “A Ucrânia está a ser bombardeada com mísseis, desde outubro, com uma intensidade e uma dureza extremas. Naquele dia, houve 96 mísseis russos disparados contra a Ucrânia. Na zona ocidental do país foram 20”.

Paulo Portas destacou também o comportamento “muito moderado e sensato” da Polónia, um dos países “mais ameaçados pela Rússia”, durante toda esta crise.

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