Sanções dos EUA ao petróleo russo? “É para o lado que Putin dorme melhor”, diz Portas

30 mar 2025, 21:46

Neste Global, Paulo Portas analisa também como a estratégia militar norte-americana está a ser discutida “com emojis ou insultos”, assegura que JD Vance ao chegar à Gronelândia fez “o mesmo erro” que Putin na Ucrânia e deixa um elogio ao excedente português

Paulo Portas começou a análise com um dos mais recentes desenvolvimentos entre Washington e Moscovo. É que Donald Trump afirmou estar “muito zangado” com Vladimir Putin, ameaçando o petróleo russo com sanções.

“É para o lado que Putin dorme melhor, porque os EUA são exportadores líquidos de energia e de combustíveis fósseis. E não precisam para nada de petróleo russo. Nem os russos precisam de vender aos EUA”, afirmou o comentador.

Sobre as relações diplomáticas entre os dois países, Paulo Portas vincou que “as negociações encetadas pelos EUA sobre a questão da Ucrânia estão a seguir o compasso russo”.

“O que está em jogo é um Putin paciente que quer mais tempo, mais território e mais concessões. E um Trump impaciente e, em muitos casos, às vezes amador do ponto de vista da preparação destas reuniões”, descreveu.

“Signalgate”: oito erros

No Global desta semana na TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), Paulo Portas destacou como o caso do “Signalgate” “seria caricato se não fosse grave”. Em causa a presença de um jornalista num grupo onde eram discutidas questões de segurança nacional.

Portas identificou oito erros neste caso. “O primeiro é de amadorismo. Não se discutem matérias de segurança nacional e muito menos operações militares numa app comercial acessível, apesar de encriptada”, aponta.

E “não se discutem questões de estratégia militar, em termos operacionais, com emojis ou insultos. Isto não é normal”, rematou.

“JD Vance fez o mesmo erro que Putin”

Depois de Trump, também o vice-presidente dos EUA não se safou da crítica de Paulo Portas. Em causa está a deslocação à Gronelândia, que a administração Trump quer comprar, onde JD Vance foi recebido com contestação.

“JD Vance fez o mesmo erro, curiosamente, que Putin fez quando invadiu a Ucrânia”, comparou Portas. Porquê? “Putin achou que a Rússia era popular e seria recebida como libertadora na Ucrânia”. O mesmo fez JD Vance. E falhou.

Elogio interno

Oportunidade ainda para uma análise à política interna, nomeadamente o excedente de 0,7% conseguido por Joaquim Miranda Sarmento que, segundo Portas, é “a todos os títulos bom”.

“Fico contente, como português, seja com governos de centro-direita, seja com governos de centro-esquerda, que o país tenha aprendido a dolorosa lição de quando ficou insolvente”, referiu.

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