No espaço de comentário "Global", emitido este domingo no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas analisa a recente polémica entre Alemanha e EUA, e a estagnação do conflito no Irão
A tensão entre os Estados Unidos e a Alemanha pode estar a entrar numa fase crítica, com implicações diretas na segurança europeia. O aviso é de Paulo Portas, que aponta riscos estratégicos na eventual redução de tropas norte-americanas.
“Estar a reduzir soldados é um sinal de debilitação da NATO na Europa”, afirmou o comentador, sublinhando que “Putin está a ver, Putin está a ouvir”.
Mais do que uma simples diminuição de efetivos, Portas considera que pode estar em causa uma mudança estrutural: “O que pode estar em causa não é uma redução de 5 mil soldados em 36 mil, mas a violação do compromisso que Joe Biden fez com os alemães de instalar na Alemanha mísseis de médio e longo alcance”, algo que, lembra, “irritou para lá de Bagdá” o presidente russo.
“Aparentemente é à rotura desse compromisso, ao rasgar desse compromisso, que Donald Trump quer chegar. E isso seria muito grave”, acrescentou, referindo ainda que “na Alemanha há muita gente que pensa que esta reação desproporcionada do presidente dos EUA aconteceu depois da conversa com Vladimir Putin de uma hora e meia”.
Trump e a sua "conduta errática"
Mas a preocupação de Paulo Portas não se fica apenas pela Europa. Dois meses depois do início da guerra no Irão, o comentador alerta que o cenário é de bloqueio e não tem uma saída à vista.
“Ao fim de dois meses o regime não caiu, o programa nuclear não estava obliterado, o Irão mantém, pelo menos em parte, capacidades nos seus mísseis que conseguem alcançar outros países do Golfo, e não houve uma revolta popular”, enumera, lembrando que o “problema do Estreito de Ormuz tornou-se um problema global e mundial”.
Enquanto isso, no terreno, afirma que “estamos numa situação híbrida”, em que “nem há bombardeamentos, nem o cessar-fogo é definitivo”, o que aponta, diz, para a necessidade de negociação.
Mas é na dimensão económica que o impacto já se faz sentir de forma global. “Os Estados Unidos estão com o galão, para meter gasolina, a 4 dólares e 39, era 2 dólares e 97 no dia em que começou a guerra”, exemplificou, deixando um alerta: “se o conflito se prolongar mais algumas semanas, nós podemos estar a chocar uma estagnação”.
A atuação de Donald Trump merece também críticas do comentador no Jornal Nacional da TVI, que aponta incoerência na condução do dossiê iraniano.
“Trump continua bastante errático: ora diz que não está em guerra e que não precisa de autorização além dos 60 dias dados pelo Parlamento; ora diz que o Irão ainda não sofreu o suficiente e que vai voltar aos bombardeamentos; ora diz que amanhã de manhã vai a Cuba; ora diz que está a ponderar novos ataques ao Irão; ora diz que não lê a proposta do Irão; ora diz que vai ler a proposta do Irão”, refere Paulo Portas.