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Após tiroteio, Paulo Portas tem uma pergunta: "Como é possível estarem todos juntos" num país em que "há mais armas do que pessoas"?

26 abr, 22:47

No espaço de comentário "Global", emitido este domingo no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas analisa a alegada tentativa de atentado contra autoridades norte-americanas em Washington, DC e deixa críticas à segurança interna dos Estados Unidos

Paulo Portas considera "incompreensível" que um suspeito armado tenha conseguido entrar num hotel onde decorria um evento com altas figuras do Estado norte-americano. Para o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), a presença simultânea das três principais figuras da linha de sucessão presidencial - o presidente, o vice-presidente e o presidente da Câmara dos Representantes - no mesmo local representa uma "falha grave" de prevenção. 

"Como é que é possível, do ponto de vista de segurança, estarem todos juntos?", questiona. 

O comentador considera ainda "extraordinário" que não existissem detetores metálicos à entrada do edifício, sublinhando que o suspeito conseguiu entrar com uma pistola, uma arma automática e armas brancas. "O país terá de refletir seriamente sobre as regras de segurança que tem ou não tem".

"Há mais armas do que pessoas"

Paulo Portas considera que Washington, DC não conseguiu enfrentar o problema do controlo de armamento: "Por cada 100 habitantes há cerca de 120 armas. Há mais armas do que pessoas".

"Devia haver controlos exigentes nessa matéria. Muitas vezes não há sequer pedido de cadastro, o que mostra a mais absoluta irresponsabilidade", argumenta.

Na opinião do antigo ministro da Defesa, trata-se de um problema que sucessivas administrações não conseguiram enfrentar, a que se acrescenta o aumento da radicalização no ambiente digital.

"Para além da arma, eles têm a pólvora, e a pólvora chama-se redes sociais e algoritmocracia", afirma, considerando que as plataformas amplificam comportamentos extremos e normalizam a agressividade. "Você não consegue ter uma discussão, só tem insultos, e depois dos insultos, ameaças, e depois das ameaças sabe-se lá o quê."

"Nenhum assassínio é justificável"

Sobre a tentativa de atentado, Paulo Portas frisa que este tipo de atos nasce de perturbações individuais:

"Quem organiza um assassínio, seja de quem for, é uma pessoa com um distúrbio mental. Não há nenhuma forma de assassínio ou tentativa de assassínio que seja justificável de nenhuma maneira", considera.

O comentador lembra que quatro presidentes norte-americanos foram assassinados - Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John F. Kennedy - e vários outros escaparam a atentados.

"Há uma coisa em que os americanos um dia têm de pensar: Porque é que nós não somos um país mais seguro do ponto de vista da proteção das nossas próprias autoridades?", conclui.

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