Passos Coelho destacou ainda que o momento atual deve ser de concentração nas responsabilidades do Governo: "Eu recomendo a quem está no Governo, a começar no chefe do Governo, que se concentre nessa missão e que se distraia pouco com o resto"
Pedro Passos Coelho recusou esta sexta-feira ser candidato à liderança do PSD nas diretas de maio, depois de ter recebido um desafio por parte do atual presidente do partido, Luís Montenegro.
“Julgo que não será surpresa para ninguém, porque já o tinha declarado publicamente que não sou candidato a coisíssima nenhuma”, declarou o antigo primeiro-ministro a partir do Porto.
Questionado pelos jornalistas, Passos Coelho considerou ainda que não faz sentido continuar-se a especular sobre uma eventual candidatura. “Escusam de perder tempo a fazer efabulações sobre o que é que eu quero ou o que é que eu não quero e se me quero candidatar, porque no dia em que eu me quiser candidatar, eu digo que me quero candidatar e candidato-me”, sublinhou, acrescentando que “não faço isso para satisfazer calendários ou por questões de política interna.”
O antigo líder do PSD reforçou também que, caso regressasse à política ativa, seria por motivos muito específicos. “No dia em que o fizer, se o fizer, há de ser por um imperativo de consciência”, disse.
Durante a mesma intervenção, Passos Coelho destacou ainda que o momento atual deve ser de concentração nas responsabilidades do Governo. “O presidente do PSD, o Dr. Luís Montenegro, é primeiro-ministro. Eu já fui primeiro-ministro e é uma função que eu julgo que é importante. Ele contraiu uma responsabilidade, não apenas com o seu partido, que é o meu partido também, mas com o país.”
O social-democrata salientou ainda que Portugal terminou um longo ciclo eleitoral e que há agora tempo para o executivo cumprir o mandato. “Fechámos um ciclo eleitoral que foi longo e agora há três anos e meio quase pela frente. Este é o tempo, creio eu, do Dr. Luís Montenegro se concentrar no exercício dessas funções e dessas responsabilidades.”
Apesar de afastar uma candidatura, Passos Coelho voltou a reiterar que continuará a intervir no debate público “sempre o entender”. “Sempre que eu entender que devo dar algum contributo, mais crítico ou menos crítico, perante o país e perante o Governo também, não deixarei de o fazer”, afirmou, acrescentando que “não me deixarei condicionar por reptos de espécie nenhuma de natureza partidária”.
“Já fui primeiro-ministro, tenho uma obrigação para com muitas pessoas no país e direi sempre aquilo que entender dever ser dito, de acordo com aquilo que eu acho que é importante”, referiu, deixando uma última mensagem ao atual Governo. “Eu recomendo a quem está no Governo, a começar no chefe do Governo, que se concentre nessa missão e que se distraia pouco com o resto.”
De recordar que Luís Montenegro, atual primeiro-ministro e líder do partido, tinha, na passada quarta-feira, desafiado Passos Coelho a avançar com uma candidatura. “Aqui ou acolá alguns tentam desvirtuar o caminho, mas nós no PSD não podemos ter dúvidas”, sublinhou o líder social-democrata perante os conselheiros nacionais.