Passos Coelho "não se recorda de ter feito qualquer sugestão" sobre eleições caso o pacote laboral seja chumbado

27 fev, 14:59

Ex-primeiro ministro volta a comentar a atualidade política - mas também comenta o passado político (não o dele, mas o legado PS). De qualquer forma: quer deixar claro que não está de regresso à vida política ativa

“Não me recordo de ter feito qualquer sugestão nesse sentido.” Foi assim que Pedro Passos Coelho respondeu quando questionado sobre se teria defendido a realização de eleições antecipadas caso o pacote laboral do Governo venha a ser chumbado no Parlamento.

“Isso é uma matéria que compete aos Governos”, referiu aos jornalistas. "Os Governos é que sabem se têm condições de levar o seu papel adiante ou não. Eu disse uma coisa que me parece bastante meridiana (...). Essas minhas palavras devem ser ouvidas, espero eu - pelo menos que o sejam -, como um incentivo a essa mudança e àquilo de que o país precisa de fazer", acrescentou, referindo-se a uma reforma do Estado.

O antigo primeiro-ministro foi confrontado esta sexta-feira com declarações feitas no início da semana, nas quais afirmou que, sem maioria absoluta para aprovar as reformas que pretende concretizar, o Governo deveria dirigir-se ao eleitorado. Perante a insistência sobre se isso significaria novas eleições, desvalorizou.

É evidente que “quando um Governo não tem maioria e precisa de apoio para as reformas que quer fazer, só pode dizer aos eleitores: deem-me o apoio que o Parlamento não me dá”.

No início da semana, durante uma conferência no Porto, o antigo líder do PSD abordou o impasse negocial em torno da reforma laboral, desafiando o Governo a alargar “a mesa negocial a outras reformas”. Nessa ocasião, afirmou que “os partidos no Parlamento que decidam se querem apoiar ou se não querem apoiar” e que, caso as propostas sejam chumbadas, o Executivo tem “um ponto importante para se dirigir ao eleitorado e para pedir mais força para as concretizar”, a menos que entenda não ter apoio na sociedade portuguesa.

Voltando a esta sexta-feira, a Coimbra: Passos rejeitou que as recentes intervenções públicas representem um regresso à política ativa. “Não é regresso de coisa nenhuma porque eu não estou candidato a coisa nenhuma.” O antigo chefe de Governo diz tratar-se apenas de contributos ocasionais para a reflexão pública, esperando que as suas preocupações, que considera terem um “âmbito nacional”, possam ter eco.

Para Passos Coelho, o essencial é que o Governo avance com mudanças, já que o país “passou anos sem reformas estruturais”, referindo-se aos oito anos de governação PS, e que, encerrado o ciclo de instabilidade eleitoral, chegou o momento de concretizar as promessas. “Não é pelo facto de não haver uma maioria absoluta que os Governos estão impedidos de apresentar as suas ideias, os seus projetos, as suas propostas de reforma.”

Relacionados

Governo

Mais Governo