“Que aqueles que têm armas as deponham!": Papa Leão XIV exorta os líderes que "desencadeiam guerras" a escolherem a paz

CNN , Christopher Lamb - notícia atualizada às 11:35
5 abr, 10:40

Na sua primeira missa de Páscoa, Papa Leão XIV manifesta a esperança de que Donald Trump encontre uma "saída" para pôr fim ao conflito no Médio Oriente. O Papa uma vigília especial de oração pela paz na Basílica de São Pedro, no próximo sábado

Na sua primeira homilia de Páscoa desde que se tornou o chefe da Igreja Católica no ano passado, Papa Leão XIV fez um apelo ao diálogo e pediu que aqueles que têm o poder de desencadear guerras escolham a paz

Da varanda da Basílica de São Pedro, o Papa Leão disse: “Abandonemos todo o desejo de conflito, de domínio e de poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz a um mundo devastado pelas guerras e marcado por um ódio e uma indiferença que nos fazem sentir impotentes perante o mal.”

“Que aqueles que têm armas as deponham! Que aqueles que têm o poder de desencadear guerras escolham a paz! Não uma paz imposta pela força, mas através do diálogo! Não com o desejo de dominar os outros, mas de os encontrar!”, disse o pontífice.

Milhares de pessoas juntaram-se na praça para ouvir a mensagem de Leã XIV, com um grupo a segurar um cartaz em italiano: “Papa Leão, estamos contigo, guia o nosso futuro.”

Na sua mensagem, o Papa fez eco da frase do falecido Papa Francisco sobre a “globalização da indiferença” para reconhecer que as pessoas estão a “habituar-se à violência, resignando-se a ela e tornando-se indiferentes”.

Papa Leão XIV preside à Santa Missa no Domingo de Páscoa para proferir a sua mensagem Urbi et Orbi na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano (EPA)

O pontífice afirmou que o poder da Páscoa – quando os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo dos mortos – é “inteiramente não violento”.

Leão XIV aproveitou ainda a sua mensagem de Páscoa para anunciar uma vigília especial de oração pela paz na Basílica de São Pedro, no sábado, 11 de abril. O falecido Papa Francisco organizou uma vigília semelhante em 2013 pela Síria – para protestar contra a guerra civil e rejeitar a intervenção militar – que contou com a presença de cerca de 100 mil pessoas.

Após proferir a sua mensagem, Leão XIV desejou uma feliz Páscoa em 10 línguas, entre as quais o árabe, o chinês e o latim. De seguida, recitou a oração Regina Coeli e proferiu a tradicional bênção Urbi et Orbi, que significa “À Cidade e ao Mundo”.

A primeira Semana Santa e Páscoa de Leão XIV decorre num contexto de guerra, e ele expressou a esperança de que o presidente dos EUA, Donald Trump, possa encontrar uma “saída” para o conflito no Médio Oriente.

Na Sexta-feira Santa, o primeiro pontífice nascido nos EUA transportou a cruz durante toda a Via Sacra no Coliseu de Roma, onde os fiéis ouviram orações pelas crianças imigrantes deportadas, assim como um aviso aos líderes mundiais de que as suas ações serão julgadas. 

Este domingo, milhares de pessoas juntaram-se para a missa e mensagem de Páscoa numa soalheira Praça de São Pedro, que, como manda a tradição, foi decorada com flores e arranjos florais para as celebrações.

Papa Leão XIV na missa da Páscoa (EPA)

Antes, na sua homilia pascal, o Papa Leão XIII centrou-se na importância de manter a esperança no meio da violência da guerra, das alterações climáticas e de outros sofrimentos.

O pontífice disse que a mensagem da Páscoa responde ao “grito de dor que surge de todos os cantos por causa dos abusos que oprimem os mais fracos entre nós, por causa da idolatria do lucro que saqueia os recursos da Terra, por causa da violência da guerra que mata e destrói”.

“Muitas vezes parece que Deus não existe: à nossa volta vemos injustiça persistente, maldade, indiferença e crueldade. Mas também é verdade que, no meio das trevas, algo de novo brota sempre e, mais cedo ou mais tarde, dá fruto”, disse o pontífice na sua homilia. “A Páscoa dá-nos essa esperança, ao recordarmos que, em Cristo ressuscitado, é possível cada dia uma nova criação.”

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