Como secretários foram eleitos Eurico Brilhante Dias, Carla Eliana Tavares, Sofia Pereira, Mário Mourão, Marta Temido, Fernando Gomes, Sónia Sanfona, Nuno Araújo, Carla Tavares e Mariana Vieira da Silva
Carlos César foi reeleito presidente do PS com 89,9% dos votos no 25.º Congresso Nacional do partido, que decorre em Viseu.
Os resultados foram anunciados no início do segundo dia da reunião magna, que decorre até domingo em Viseu e cujos trabalhos começaram pelas 10:55.
Carlos César alcançou 89,9% dos votos dos delegados, tendo depois assumido a liderança dos trabalhos, após a eleição da Mesa do Congresso com 96,5%.
A Mesa do Congresso é composta pelo presidente, Carlos César, e os vice-presidentes Luísa Salgueiro, António Pina, João Azevedo, Francisco César e Célia Pessegueiro.
Como secretários foram eleitos Eurico Brilhante Dias, Carla Eliana Tavares, Sofia Pereira, Mário Mourão, Marta Temido, Fernando Gomes, Sónia Sanfona, Nuno Araújo, Carla Tavares e Mariana Vieira da Silva.
Foi igualmente eleita a Comissão de Honra do 25.º Congresso Nacional do PS, com 96,5%, composta por nomes como os dos ex-líderes do PS Pedro Nuno Santos, Ferro Rodrigues e Vítor Constâncio, o presidente honorário, Manuel Alegre, e os ex-ministros Alexandra Leitão, Fernando Medina e António Vitorino.
No início dos trabalhos, foi chamado ao palco o antigo deputado Constituinte pelo PS Carlos Lage, a poucos dias de se assinalarem 50 anos desde a aprovação da Constituição da República Portuguesa (CRP), a 02 de abril de 1976.
Num gesto simbólico, o antigo deputado entregou um exemplar da Lei Fundamental à líder da Juventude Socialista (JS), Sofia Pereira.
Carlos Lage apenas pediu “um favor” aos presentes: “Voltem a convidar-me daqui por 50 anos”.
César quer partido a contribuir para soluções apesar da surdez do Governo
O presidente do PS, Carlos César, considerou hoje que o partido deve continuar a “querer ser parte das soluções” apesar da “surdez e défice democrático” do Governo, contribuindo para que o executivo “seja o menos mau possível”.
“Nunca em tão pouco tempo foi tanto dito e não cumprido, e nunca em tão pouco tempo foi tanto feito com tanto defeito. Mesmo assim, o Governo que temos continua a dedicar mais atenção à oposição ao PS e ao namoro com a extrema-direita do que à resolução de todos e de cada um desses problemas que persistem ou que se intensificam”, acusou Carlos César no seu discurso no 25.º Congresso Nacional do PS, no qual foi reeleito presidente do partido.
Apesar disso, na perspetiva de Carlos César, o PS “deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica e da denúncia” e lembrar ao Governo liderado por Luís Montenegro “que é dele que depende a estabilidade política”.
“Enquanto for este o governo e não puder ser outro, o nosso dever é o de contribuir para que seja o menos mau possível. Tenho a certeza de que os portugueses compreenderão bem o papel que hoje escolhemos e que nos reconhecerão na sua escolha com outro papel no futuro”, disse.
Para Carlos César, o PS deve “demonstrar, que, mesmo como partido de oposição”, o que deve mover a sua ação “é sempre o bom governo de Portugal”.
“Não é o PS que se ajoelha quando propõe ou quando contribui. É o Governo que, na sua surdez e no seu défice democrático, perde e faz perder o nosso país”, enfatizou.
Carlos César defendeu que os socialistas não se sentem diminuídos, nem José Luís Carneiro se deve sentir, "por procurar contribuir" para uma boa governação de Portugal.
"Pelo contrário, o país é que fica diminuído com os que ignoram ou se furtam a essa colaboração. E o que infelizmente está a acontecer, entre nós, é que o governo em funções, não só não é um bom governo como recusa arrogantemente a ajuda para sê-lo", criticou, defendendo que Portugal "precisa de uma cooperação interna construtiva".
Saudando a reeleição de José Luís Carneiro, o conselheiro de Estado defendeu que a liderança do secretário-geral do PS se alcançaram "sucessos que não estavam garantidos".
"Reconfirmámos o PS, ao contrário do que alguns auguravam, como um grande partido nacional", disse, dando como exemplo das eleições autárquicas de outubro do ano passado.
Quando às eleições presidenciais vencidas pelo ex-líder do PS António José Seguro, de acordo com César, o PS apoiou, "no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória para o Partido Socialista".
"Saudamos o nosso Presidente da República, que tem aos seus ombros a missão, que não se indicia como fácil, de defender o equilíbrio democrático, o escrutínio e o bom discernimento dos poderes políticos e o respeito pelos nossos valores constitucionais referenciais", avisou.
De acordo com o presidente do PS, esses valores constitucionais "são agora ameaçados por coligações negativas, surpreendentes mesmo para os democratas que se reveem nas opções da direita moderada, que podem atingir "o próprio texto constitucional".
"E perante as quais, tal como perante todos os extremismos, devemos estar atentos e o PS firme na pedagogia e na oposição", exortou, numa referência implícita ao impasse para a eleição dos órgãos externos do parlamento, concretamente os juízes do Tribunal Constitucional.
Para Carlos César, não se pode pensar "em voltar a merecer a confiança maioritária dos portugueses" só porque os socialistas "fomos melhores em momentos do passado".
"Só teremos essa confiança se provarmos no presente que a merecemos no futuro. Em democracia o poder é exercido por empréstimo dos eleitores. Temos de novo de provar a nossa solvência política, ou seja, que somos merecedores desse crédito", disse.