Considera candidatar-se a Presidente da República? Santos Silva diz que é “ridículo” falar disso agora (mas deixa recados para a esquerda)

28 out, 15:04

A quatro anos das eleições presidenciais, Augusto Santos Silva considera "ridículo" falar-se nesta altura de possíveis candidatos. Mas sublinha que o centro-esquerda tem responsabilidades. E mostra-se disponível para as fazer cumprir.

Numa longa entrevista com a jornalista Anabela Neves, em que o presidente da Assembleia da República fez de cicerone e mostrou os cantos à casa da democracia, Santos Silva falou dos desafios do presente (recusou ter entrado com um perfil anti-Chega), das possibilidades do futuro (não há nada que recuse porque "não é a sua conduta") e revelou também um lado mais pessoal (gosta de escrever livros infantis para as netas e, nas férias, trata dos almoços para comer na praia).

Uma entrevista exclusiva para ver no Jornal das Oito e na CNN esta noite.

Os seus antecessores estavam todos em fim de carreira, pelo menos a maior parte deles. Carreira política. Não parece ser o caso do senhor presidente, porque já disse que não enjeita nenhum futuro. E quando estamos a falar de futuro, a pergunta era sobre ser candidato a Presidente da República.

Ou presidente da junta de freguesia.

Ou presidente da junta de freguesia. Que nunca foi. Ainda pode ser.

Eu já fui membro da assembleia de freguesia. É muito difícil na minha freguesia o meu partido ganhar. E, portanto, o que eu digo, em 2022, é que não sei o que é que vai ser no futuro. O meu presente, sei, é ser presidente da Assembleia da República. É isso que serei nesta legislatura, que vai até outubro de 2026.

Se me perguntam, há alguma coisa que recuse? Eu digo não, porque não tem sido essa a minha conduta ao longo do tempo. Agora, quanto a eleições presidenciais, seria ridículo estarmos a discutir em 2022 algo que só vai suceder em 2026.

Sabe que Carlos César, presidente do partido, disse, de alguma forma, com uma linguagem um pouco mais popular, que era meter os carros à frente dos bois.

E eu disse que seria ridículo. Até usei uma linguagem ainda mais popular.

O facto de o seu nome aparecer tão cedo, diz que é ridículo aparecerem nomes já nesta altura, não será para evitar o que aconteceu nas outras duas eleições? Que apareçam outros candidatos que dividam o eleitorado socialista?

Eu acho que é responsabilidade de todos, incluindo de mim próprio, que a grande área política do centro-esquerda, e dos milhões de portugueses que nela se reconhecem, esteja unida na próxima eleição presidencial. Foi, infelizmente, uma coisa que não sucedeu nem em 2006, nem em 2011, nem em 2016 e mesmo em 2021.

Se puder, vai ajudar a que isso aconteça.

Claro.

Apresentando-se eventualmente como candidato, se fosse chamado a essas funções?

Não foi isso que eu disse.

O senhor presidente, aqui, no dia 5 de outubro, abriu o palácio pela primeira vez, e já vi fotos, tirou selfies, brincou com as crianças. Isto parece quase o presidente Marcelo a atuar.

Não. Significa que é apenas um sujeito chamado Augusto Santos Silva que...

Que também tem esse lado. Quer mostrar um lado mais empático?

Não, não. Vejo-a obcecada com essa ideia de que eu sou um tipo intratável.

A imagem pública, às vezes, transparece um pouco uma pessoa mais seca, mais austera.

Apliquemos também o nosso racionalismo ao meu próprio caso. O que aconteceu é que, durante quatro anos e meio, eu fui ministro dos Assuntos Parlamentares. E, portanto, intervinha a defender o Governo, naturalmente, em todos os debates. E de uma forma que, toda a gente reconhece, era bastante eficaz.

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