Medida tem amplo consenso da esquerda à direita dos 27
O Parlamento Europeu suspendeu esta terça-feira a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os EUA, numa resposta às ameaças de Donald Trump.
A confirmação foi dada pela presidente do grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Iratxe Garcia Pérez, que disse aos jornalistas haver um “acordo entre a maioria” dos grupos políticos para congelar o acordo celebrado a 21 de agosto do ano passado.
Segundo o jornal francês Le Monde, também o Partido Popular Europeu (PPE), o maior do Parlamento Europeu, confirmou o congelamento da ratificação do acordo. O presidente do PPE, Manfred Weber, já tinha afirmado que, devido às ameaças da administração Trump acerca da Gronelândia, incluindo as tarifas de 10% contra seis países do bloco, “não seria possível” ratificar o acordo para já.
Também Valérie Hayer, líder do grupo parlamentar do Renovar a Europa, tinha dito esta segunda-feira que esta decisão seria “uma alavanca extremamente poderosa”.
“Não creio que as empresas concordem em renunciar ao mercado europeu”, disse Hayer.
O acordo entre União Europeia e EUA previa a aplicação de tarifas de 15% às exportações de produtos do bloco para os EUA - à exceção de produtos como cortiça, peças e componentes para aviação, bem como medicamentos e os seus ingredientes -, mas a isenção de tarifas às exportações americanas para a Europa.
O entendimento também previa a compra de mais de 600 mil milhões de euros em energia americana por parte da União Europeia, que o bloco justificou com a redução da dependência da Rússia, e mais investimentos num valor superior conjunto de mais de 500 mil milhões de euros. Com a não ratificação do documento, todos estes acordos não entrarão em vigor.
Apesar do amplo consenso, até da parte dos Patriotas pela Europa, do qual fazem parte o Rassemblement National, o Chega e o Vox, entre outros, o grupo dos Conservadores e Reformistas (ECR) discorda da não ratificação. “Pensamos que é um erro”, disse o copresidente do grupo, Nicola Procaccini, citado pelo Le Monde.