Paris2024: Governo francês fala «ataque coordenado» aos comboios

26 jul 2024, 10:41

«Ataque massivo» vai afetar mais de 800 mil pessoas nos próximos dias

A ministra do Desporto francesa, Amélie Oudéa-Castera, classificou de sabotagem o «ataque massivo» contra a rede ferroviária francesa e disse que autoridades estão a avaliar o impacto nas deslocações e a garantir o transporte das delegações para os locais de competição.

A companhia ferroviária nacional francesa (SNCF) reportou esta sexta-feira «um ataque massivo» que visou paralisar a sua rede ferroviária de alta velocidade (TGV), horas antes da abertura dos Jogos Olímpicos em Paris, e que vai afetar mais de 800 mil pessoas nos próximos dias.

A ministra do Desporto condenou aqueles que querem «sabotar» os «Jogos dos Atletas».

«Jogar contra os Jogos é jogar contra a França, contra o seu próprio campo, contra o seu país», disse Amélie Oudéa-Castera, em declarações à televisão BFM, sublinhando que os Jogos Olímpicos 2024 foram «preparados com muito cuidado por várias centenas de milhares de pessoas durante quase dez anos».

O ataque está a afetar as linhas Atlantique, Nord e Est do comboio de alta velocidade (TGV) , que foram incendidas durante a noite.

Em conferência de imprensa, o ministro dos Transportes, Patrice Vergriete, falou de «consequências muito graves» para o tráfego ferroviário.

Já a presidente da região de Paris, Valérie Pécresse, denunciou «uma tentativa de desestabilizar a França» num dia chave para o país, a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Os ataques consistiram em incêndios provocados de forma coordenada em condutas de cabos de energia de sinalização e comunicação.

Os problemas de trânsito vão durar pelo menos todo o fim de semana e ocorrerão não só no dia da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, mas também em dias especiais de partida e entrada de férias.

As linhas afetadas, com atrasos e suspensões, são as dos eixos Norte (que incluem também o TGV para Londres, Bruxelas, Amesterdão e Alemanha), Oeste (Bretanha, Bordéus) e Este (Estrasburgo, Frankfurt).

As estações Norte, Este e Montparnasse foram especialmente afetadas, com milhares de viajantes retidos na manhã desta sexta-feira.

O quarto eixo do TGV de Paris, o sudeste (Lyon, Marselha), foi salvo porque uma tentativa de sabotagem contra a linha «foi frustrada», detalhou a SNCF.

Estima-se que só esta sexta-feira existem 250 mil viajantes afetados.

A escolha dos pontos onde ocorreram os incêndios sugere que os autores, para além de coordenados, possuem conhecimentos técnicos, segundo a SNCF.

O Ministro dos Transportes descreveu os acontecimentos como «um ato criminoso escandaloso» e destacou também a «coordenação» dos incêndios, que ocorreram aproximadamente «ao mesmo tempo», por volta das 4h00 locais (3h00 em Lisboa).

O presidente da SNCF, Jean Pierre Farandou, considerou as sabotagens como «um ataque à França e aos franceses», numa aparição conjunta à imprensa juntamente com o ministro.

Farandou explicou que os trabalhos de reparação são muito delicados, uma vez que os incêndios afetaram condutas com até 500 cabos elétricos e de fibra ótica.

«É preciso arranjar cabo a cabo, é quase um trabalho de ourives», explicou um alto funcionário da empresa na conferência de imprensa.

O presidente da Câmara de Paris, Laurent Nunez, anunciou, por sua vez, o envio de reforços policiais para as principais estações da capital para garantir a segurança dos passageiros e das instalações.

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