Parisienses vão votar para proibir trotinetes elétricas

CNN Portugal , JGR
15 jan, 18:55
Trotinetes elétricas (imagem Getty)

Parte da população de Paris confessa-se insatisfeita com as frotas de trotinetes abandonadas nos passeios da histórica cidade. Em Portugal, só por Lisboa, existirão cerca de 11 mil trotinetas e bicicletas partilhadas sem sítio para estacionar

Os cidadãos de Paris vão votar acerca do futuro dos serviços de trotinetes elétricas na capital francesa, no dia 2 de abril, numa altura em que as autoridades locais estudam uma possível proibição destes veículos.

A notícia foi dada pela autarca da cidade luz, numa entrevista ao jornal Le Parisien. “O assunto é extremamente divisivo”, admitiu Anne Hidalgo que destaca o desrespeito pelas regras da estrada por muitos condutores destes veículos.

Uma parte da população de Paris confessa-se insatisfeita com as frotas de trotinetes abandonadas nos passeios da histórica cidade. Existem, inclusive, vários casos de trotinetes elétricas atiradas para o rio Sena.

No entanto, muitos elogiam a funcionalidade deste meio de transporte numa cidade com tanto trânsito. Para essas pessoas, as scooters elétricas são uma alternativa rápida e não poluente aos transportes públicos ou ao carro privado.

Anne Hidalgo, que admite ser a favor da proibição, diz que os parisienses vão ter de responder a uma “perguntam muito simples” num referendo: “Continuamos ou não com as trotinetes elétricas?”

Caso ganhe a proibição, Paris será a primeira capital europeia a banir este meio de transporte.

Os problemas entre os operadores deste serviço e a autarquia parisiense têm vindo a multiplicar-se nos últimos meses. Em setembro, a presidente da Câmara de Paris ameaçou não renovar as licenças, caso fossem incapazes de limitar os problemas causados.

Em novembro, as empresas sugeriram uma série de medidas para mitigar alguns dos principais problemas, como a utilização de matrículas, que permitiriam às autoridades identificar os condutores que cometem infrações ou viajam com mais de uma pessoa no veículo.

Anne Hidalgo afirmou que, a concretizar-se, a medida não vai afetar trotinetes elétricas privadas, uma vez que diz que “não são um problema”.

Em Portugal, as trotinetes elétricas também têm causado alguma controvérsia. Só por Lisboa, existirão cerca de 11 mil trotinetas e bicicletas partilhadas sem sítio para estacionar. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes defende alterações ao Código da Estrada para obrigar ao estacionamento das trotinetas e bicicletas elétricas em espaços próprios e a utilização de capacete por crianças e jovens até aos 16 anos.

No estudo "Linhas de Orientação sobre a Regulação da Micromobilidade Partilhada", que é apresentado esta quinta-feira em Lisboa, a autoridade reconhece a importância da mobilidade suave – trotinetas e bicicletas elétricas – nas cidades portuguesas, mas lembra, igualmente, os “fortes impactos negativos para o ordenamento do espaço urbano”.

O estudo clarifica o conceito de micromobilidade partilhada e formula um conjunto de recomendações dirigidas ao Estado, enquanto legislador (Governo e Assembleia da República), bem como aos municípios, responsáveis pelo planeamento e gestão do espaço público, além dos organismos da Administração Central responsáveis pela segurança rodoviária e pela regulamentação técnica e homologação de veículos.

Uma das principais críticas por parte dos cidadãos à utilização de trotinetas nas cidades prende-se com estes veículos serem ‘largados’ no espaço público após utilização, causando perigo para os peões. O estudo refere que “apesar de os ‘hotspots’ serem os locais indicados para estacionar trotinetas e bicicletas, é cada vez mais frequente encontrá-las espalhadas pela cidade, ainda que haja ‘hotspots’ nas proximidades".

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