Duas meninas alemãs foram raptadas pelos próprios pais. São negacionistas das vacinas e suspeita-se que as tenham levado para o Paraguai

3 jun, 21:00

Na Alemanha e no Paraguai foram iniciados processos judiciais e criminais para o regresso das crianças ao país de origem, bem como para a extradição e punição dos progenitores que as raptaram

Clara Magdalena Egler, de 10 anos, e Lara Valentina Blank, de 11 anos, são duas meninas alemãs que estão desaparecidas desde 27 de novembro, quando foram raptadas pelos próprios pais, negacionistas das vacinas. De acordo com o EL País, foram levadas para o Paraguai.

Os raptores são um casal: o pai de Clara, Andreas Rainer Egler, de 46 anos, que viajou com a filha sem avisar a mãe; e Anna Maria Egler, de 35 anos, mãe de Lara que também viajou com a filha sem avisar o pai da mesma. Andreas e Anna entraram no Paraguai há seis meses, juntamente com as filhas de ambos. São antivacinas e quiseram fugir das regras na Alemanha. 

Acredita-se, Segundo a investigação, que os quatro poderão estar numa comunidade alemã negacionista naquele país sul-americano. Ao El País, a Coordenadora dos Direitos da Criança e Adolescentes do Paraguai, que tem acompanhado o caso, disse que o casal, "supostamente, pretendia morar numa comunidade antivacina no interior do país (...) porque pertence a grupos antivacina e nega a existência da covid-19".  

Anne Maja Reiniger-Egler, mãe de Clara, viajou para o Paraguai juntamente como pai de Lara, Filip Blank, para ajudar nas buscas pelas meninas, sem sucesso até ao momento. 

Na segunda-feira, a mãe de Clara deu uma entrevista em Assunção, tendo sido visível o transtorno face ao desaparecimento da filha. Anne chegou até a chorar em frente às câmaras enquanto pedia ajuda ao povo paraguaio. “Andreas, por favor, acaba com esta situação que nos tira o sono. Entra em contacto connosco ou com os advogados ou alguém da tua confiança. Vamos encontrar uma solução juntos. A Clara e a Lara certamente não se sentem muito bem com esta situação. Não podem continuar o resto da sua infância a fugir”, disse Anne aos repórteres, pedindo ajuda ao povo paraguaio: "Por favor, ajudem-nos, sou uma mãe desesperada.”

Também o pai de Lara, Filip Blank, que tem colaborado com as autoridades dos dois países, gravou um vídeo de quase cinco minutos dirigido à ex-mulher, que divulgou nas redes sociais, onde implora que Anna Maria volte com a filha. “Anna, conhecemo-nos há mais de 16 anos e sei que és muito empática e poderás sentir empatia pelo que sinto (..). Não queres que a Lara passe a vida a fugir, isso não faz qualquer sentido”, pode ver-se no vídeo.

 

Nos dois países foram iniciados processos judiciais e criminais para o regresso das crianças à Alemanha, bem como para a extradição e punição dos progenitores que as raptaram. Inclusive, no Paraguai, Andreas e Anna Egler têm um alerta vermelho para prisão.

Onde poderão estar

Após a viagem para o Paraguai, sabe-se que os fugitivos tentaram estabelecer-se num bairro alemão próximo de La Colmena, no interior do Paraguai.

Atualmente, segundo as autoridades, pensa-se que estejam numa comunidade alemã, “na área de Villarrica ou Colonia Independencia”. Por serem comunidades fechadas, a informação pode ser mais difícil de obter. "Temos comunidades alemãs bastante fechadas que dificultam um pouco a investigação", disse o comissário e vice-chefe Anti-Sequestro do Paraguai, Mario Vallejos, numa entrevista que o El País cita.

Apesar desta suspeita, as autoridades não descartam que os pais tenham fugido com as meninas para outro país, cruzando ilegalmente a fronteira com o Brasil, a Argentina ou a Bolívia, visto que o Paraguai tem cerca de 3.739 quilómetros de fronteira fluvial e terrestre com os três países.

O fenómeno alemão no Paraguai

Este desaparecimento não parece ser um caso isolado, sendo que a Embaixada da Alemanha no Paraguai manifestou preocupação com possíveis situações semelhantes. Isto porque muitos alemães aproveitam as fracas leis paraguaias para fugir às leis do seu país, como por exemplo, para não se vacinar: alguns alemães olham para o Paraguai como um refúgio antivacinas.

A comunidade alemã é a terceira maior comunidade imigrante no Paraguai e a Alemanha é o país europeu com maior número de expatriados no Paraguai. São dados que aumentaram com a pandemia: atualmente, dos sete milhões de habitantes do país, cerca de 300 mil são de origem alemã, segundo o jornal paraguaio ABC Color.

Também os raptos por parte de um progenitor estão a aumentar desde a pandemia. De acordo com dados do Escritório Federal de Justiça da Alemanha, em 2021, casos como este aconteceram 250 vezes. Em 2020 o número foi de 242 e em 2017 o número de casos foi menor, rondando os 186.

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