Autoridades salvam mãe e irmão mais novo das jovens assassinadas no Paquistão. Testemunhas dizem que Anisa e Arooj foram mortas "como animais"

27 mai, 22:15
Anisa e Arooj Abbas. Foto: polícia paquistanesa

Anisa e Arooj Abbas, de 21 e 24 anos, foram assassinadas depois de terem caído numa armadilha monta por familiares.

A mãe e o irmão mais novo de Anisa e Arooj Abbas, as duas irmãs paquistanesas assassinadas pelos próprios familiares, estão em segurança e vão regressar a Terrassa, em Barcelona, onde viviam. A mulher, Azra Bibi, e o rapaz, de nove anos, foram colocados em segurança pelas autoridades do Paquistão, de acordo com as informações divulgadas por Mirza Salma, cônsul paquistanês em Barcelona.

“Seis agentes da Polícia Nacional do Paquistão estão com a mãe e o filho de nove anos e em dois ou três dias eles regressam a Barcelona, onde a Generalitat [polícia da Catalunha] lhes ofereceu uma casa protegida”, explicou Salman, esta sexta-feira,.

Anisa e Arooj foram assassinadas porque rejeitavam os casamentos de conveniência com os primos a que tinham sido obrigadas. As jovens, de 21 e 24 anos, que viviam em Terrassa há vários anos com vistos de residência, recusavam levar os maridos para Espanha. Pelo contrário: queriam o divórcio. Mas uma armadilha montada por membros da própria família levou-as a viajar para o Paquistão, onde acabaram mortas a tiro numa casa em Mouza Nothia. O cônsul paquistanês revelou agora que a mãe, Azra Bibi, estava isolada num quarto da habitação, mas ouviu os disparos que levaram à morte das filhas. Mirza Salma diz que também esta mulher corria perigo de vida.

“Ela escutou os tiros que acabaram com a vida das filhas. A mais nova [Anisa] foi baleada na cabeça. A mais velha [Arooj] não sabemos mas também morreu por ter sido atingida com um arma de fogo”, afirmou Mirza Salma.

O cônsul revelou ainda que Azra Bibi foi colocada a salvo logo na noite dos crimes, depois de a polícia ter sido mobilizada para a habitação, alertada para o som de disparos. A mulher foi retirada pelos agentes e colocada em segurança. Ainda assistiu ao funeral das filhas, antes de ser levada para a capital, Islamabad.

Mais difícil foi a operação para resgatar a criança de nove anos, filho de Azra e irmão mais novo das jovens assassinadas. O rapaz estava com um dos presumíveis autores do duplo homicídio: Mohammad Hanif, tio das jovens e sogro de uma delas. A operação mobilizou não só a Polícia Nacional do Paquistão como também os serviços secretos do país.

“Hoje disseram-nos que conseguiram libertar o menor. Têm os passaportes e há meia dúzia de agentes a garantir a segurança de Azra e do seu filho”, sublinhou o cônsul.

A investigação ainda decorre mas há já sete pessoas detidas. Tudo indica que o tio Mohammad Hanif, pai de um dos maridos, e Shehryar Abbas, irmão das jovens, sejam os autores materiais do duplo homicídio.

Testemunhos recolhidos pela agência de notícias espanhola Efe dão conta de que as jovens foram "mortas como animais", num "crime de honra" que ainda é muito frequente no Paquistão - só no ano passado o país registou quase 500 crimes deste tipo. As irmãs ainda pediram ajuda, mas ninguém as acudiu.

"Estava na rua e vi a Anisa a gritar 'ajuda, ajuda!'", contou à agência Efe o vizinho Rehman Sohail. Este jovem diz que viu o irmão Shehryar a agarrar Anisa com uma mão, enquanto segurava uma arma com a outra. "Vai-te embora ou disparo, é um assunto familiar", ter-lhe-à dito. 

Anisa e Arooj foram para Espanha com o pai - dono de uma mercearia em Terrassa há 13 anos - mas tinham deixado de contactar a família precisamente por rejeitarem os matrimónios a que tinham sido forçadas.

Os contornos deste duplo homicídio ainda não são totalmente claros mas tudo aponta para que tenha sido o próprio irmão, Shehryar, a convencer as jovens a viajar para o Paquistão. Shehryar terá afirmado que a mãe estava lá muito doente. 

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