Ex-PM do Paquistão Imran Khan enfrenta novo processo após acusação de terrorismo

Agência Lusa
23 ago, 20:59
Imran Khan (EPA/SOHAIL SHAHZAD/LUSA)

O Supremo Tribunal de Islamabad notificou esta terça-feira o ex-primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, para responder a acusações de desrespeito a uma juíza, na próxima semana, aumentando as tensões políticas no país.

A notificação foi formalizada um dia depois de Khan, que tenta regressar ao poder, ter sido formalmente acusado de terrorismo, ao abrigo da legislação antiterrorismo do país asiático.

Na base da acusação estão declarações de Khan num comício em Islamabad, no sábado, em que prometeu processar vários membros da polícia e uma juíza, alegando que estavam envolvidos em práticas de tortura contra um seu assessor pessoal, que se encontra detido.

“Preparem-se, nós também vamos tomar medidas contra vocês. Todos devem estar envergonhados”, terá afirmado Khan, segundo o testemunho do magistrado Ali Javed, que afirma ter estado presente no comício, segundo a agência norte-americana AP.

Antiga estrela de críquete, o desporto mais popular no Paquistão, Khan foi derrubado por uma moção de censura em 10 de abril deste ano, depois de ter chegado ao poder em 2018.

Desde então, tem realizado grandes comícios em todo o país para pressionar a frágil coligação governamental e tentar reconquistar o poder.

Centenas de membros do partido de Khan, o Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), têm permanecido em frente à sua residência numa demonstração de apoio ao ex-primeiro-ministro.

O PTI disse que realizará manifestações em todo o país se Khan for detido e que vai recorrer aos tribunais para contrariar a nova acusação.

De acordo com a legislação paquistanesa, a polícia forneceu a um juiz um relatório com informações sobre a acusação, o que permite agora prosseguir com a investigação. Geralmente, o suspeito é detido para interrogatório.

Khan, 69 anos, deverá comparecer perante o Supremo Tribunal de Islamabad em 31 de agosto. Ao abrigo da legislação antiterrorismo, pode ser condenado até 14 anos de prisão.

Uma condenação significaria a desqualificação da política, uma vez que, ao abrigo da lei paquistanesa, nenhuma pessoa condenada pode candidatar-se à chefia do governo.

É a segunda vez que Khan enfrenta acusações, depois de ter acusado o poder judicial de não ter assegurado eleições livres e justas em 1993. Na altura, foi perdoado pelo Supremo Tribunal.

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