Na missa de véspera de Natal, na Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV ligou a indiferença ao que chamou uma “economia distorcida”, que reduz pessoas a mercadoria
O Papa Leão XIV afirmou esta quarta-feira, na missa da véspera de Natal na Basílica de São Pedro, que negar ajuda aos pobres e aos estrangeiros equivale, para um cristão, "a rejeitar Deus", usando o episódio do nascimento de Jesus num estábulo, por falta de lugar numa estalagem, como leitura directa do presente.
Na homilia, o pontífice insistiu que a fé não pode ser separada do modo como se trata quem está à margem, dizendo que “na terra não há lugar para Deus se não houver lugar para a pessoa humana” e que recusar uma coisa é recusar a outra.
Leão XIV, de 70 anos, que foi eleito em maio para suceder a Francisco e se tornou o primeiro Papa nascido nos Estados Unidos, tem feito do apoio a migrantes e pobres um dos temas centrais do início do seu pontificado e, nesse enquadramento, já criticou a política de endurecimento migratório do Presidente norte-americano Donald Trump. Perante cerca de 6000 pessoas no interior da basílica, o Papa citou Bento XVI para criticar a indiferença do mundo perante crianças, pobres e estrangeiros. E ligou essa indiferença ao que chamou uma “economia distorcida”, que reduz pessoas a mercadoria. Em contraste, disse, o Natal proclama a dignidade de cada ser humano, porque Deus “se torna como nós”.
Regressando à imagem do presépio, acrescentou que, onde há espaço para a pessoa, há espaço para Deus e que até um estábulo pode tornar-se “mais sagrado do que um templo”.
Do lado de fora, cerca de 5000 fiéis seguiram a celebração em ecrãs instalados na Praça de São Pedro, sob chuva intensa, de guarda-chuva e impermeável. Antes do início da missa, Leão XIV foi à praça saudar quem esperava e agradeceu a presença, elogiando a “coragem” de estar ali apesar do mau tempo.
Esta quinta-feira, dia de Natal, o Papa volta a presidir à missa e fará a tradicional mensagem e bênção “Urbi et Orbi”, pronunciamento que o Vaticano reserva para duas ocasiões anuais e que costuma condensar as prioridades espirituais e políticas do pontificado.