Papa Leão XIV carregou sozinho a cruz durante a Via Sacra - algo que um Papa não fazia desde 1994

Agência Lusa | CNN Portugal , MJC
4 abr, 13:46
Papa Leão XIV carregou a cruz na Sexta-feira Santa (AP)

A cerimónia incluiu orações por órfãos de guerra e crianças imigrantes deportadas, bem como um aviso aos líderes mundiais de que as suas decisões serão um dia julgadas por Deus

Nesta primeira Sexta-feira Santa enquanto pontífice, o Papa Leão XIV transportou a cruz de madeira ao longo das 14 paragens que inclui a tradicional Via Sacra, algo que não acontecia desde 1994.

Perante mais de 30 mil pessoas, no interior do famoso Coliseu de Roma, Leão XIV presidiu, pela primeira vez desde que tomou posse, a uma das cerimónias mais solenes da Semana Santa, marcada por um apelo contra a guerra e os abusos de poder, ao longo das catorze estações da via sacra. 

No trajeto, que durou mais de uma hora, o papa carregou uma cruz de madeira, recuperando uma tradição que não se via desde o pontificado de João Paulo II. Numa cerimónia iluminada por velas, o pontífice fez questão de carregar a cruz durante todo o percurso: cinco estações no interior do anfiteatro romano e outras nove na parte externa, caminhando lentamente entre as reflexões propostas

No seu primeiro ano a presidir à celebração, o papa Leão XIV encarregou o frade Francesco Patton de redigir as "meditações" que orientam a Via Sacra. O texto, lido ao longo das catorze estações, foi uma advertência ao mundo contra a tirania, o autoritarismo e os excessos do poder político, embora sem citar nomes ou países concretos.

A cerimónia incluiu orações por órfãos de guerra e crianças imigrantes deportadas, bem como um aviso aos líderes mundiais de que as suas decisões serão um dia julgadas por Deus: “Todas as pessoas em posições de autoridade terão de responder perante Deus pela forma como exercem o seu poder”, dizia a primeira meditação. “O poder de iniciar ou terminar uma guerra; o poder de incutir violência ou paz.”

Papa Leão XIV carregou a cruz na Sexta-feira Santa (AP)

Através das orações, denunciaram-se o "desastre da guerra" e os "genocídios", e fizeram-se apelos pelas mulheres vítimas de tráfico, pelos migrantes que naufragam em "viagens desesperadas" e pelas "crianças sem infância" devido aos conflitos.

O texto de Francesco Patton incluiu também uma crítica direta à indústria do espetáculo e ao sensacionalismo, denunciando a "mercantilização da nudez" e a violação da privacidade das pessoas em busca de audiência.

A presença do papa hoje no Coliseu marca também o regresso do líder da Igreja Católica ao local para a cerimónia da Sexta-Feira Santa, algo que não acontecia desde 2022, devido aos problemas de saúde do Papa Francisco.

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