"É um grande passo para nós". Leão XIV reúne-se pela primeira vez com sobreviventes de abusos sexuais da Igreja Católica

CNN Portugal , MJC
20 out 2025, 16:00
Representantes da associação Ending Clergy Abuse após o encontro com o Papa Leão XIV (GettyImages)

Papa reuniu-se no Vaticano com representantes da Ending Clergy Abuse, uma associação internacional de sobreviventes de abusos sexuais

O Papa Leão XIV reuniu-se pela primeira vez com sobreviventes de abusos sexuais perpetrados pelo clero católico, segundo os participantes, dias depois de a comissão de proteção de menores do Vaticano ter acusado os dirigentes da Igreja de serem demasiado lentos a ajudar as vítimas.

O Papa reuniu-se com a Ending Clergy Abuse, uma associação internacional de sobreviventes, informou o grupo. O encontro, que incluiu seis vítimas de abusos, durou cerca de uma hora e foi “um momento significativo de diálogo”, disseram.

Gemma Hickey, uma sobrevivente canadiana que participou na reunião desta segunda-feira, disse que Leão se encontrou com as vítimas no seu gabinete no palácio apostólico do Vaticano, tirou fotografias com elas e ouviu-as atentamente.

“O Papa Leão é muito caloroso, ouviu-nos. Dissemos-lhe que viemos como construtores de pontes, prontos a caminhar juntos em direção à verdade, à justiça e à cura”, contou.

“Saí da reunião com esperança”, acrescentou Janet Aguti, sobrevivente do Uganda que também esteve presente na reunião. “É um grande passo para nós.”

A Igreja Católica, que tem cerca de 1,4 mil milhões de fiéis, tem sido abalada há décadas por escândalos em todo o mundo envolvendo abusos e encobrimentos, o que tem prejudicado a sua credibilidade e custado centenas de milhões de dólares em indemnizações.

Um relatório invulgarmente crítico da comissão de proteção de menores do Vaticano, publicado na quinta-feira, censurava os bispos séniores por não fornecerem informações às vítimas sobre a forma como as suas denúncias de abuso estavam a ser tratadas, ou se os bispos negligentes tinham sido sancionados.

Sabe-se que Leão, o antigo cardeal Robert Prevost, se tinha encontrado com sobreviventes no início da sua carreira, quando era missionário e bispo no Peru.

Francisco, que morreu em abril, fez do combate aos abusos cometidos pelo clero uma prioridade do seu papado de 12 anos, com resultados mistos. O falecido Papa encontrou-se muitas vezes com vítimas de abusos, frequentemente durante as suas viagens ao estrangeiro, como aconteceu na sua última visita a Portugal.

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