opinião

Os Mexericos da Corte

7 jul, 07:00

O Papa está doente. Mas não está a morrer. Tem 85 anos. O seu estado de saúde agravou-se no último ano. Teve de ser operado aos intestinos. Depois, surgiu-lhe uma lesão num joelho que o levou para uma cadeira de rodas.

O Papa tinha este mês agendada uma importante visita à África: República Democrática do Congo e Sudão do Sul. Cancelou. Há uns dias, o Papa teve de comunicar. Não o fez por menos. Deu uma entrevista à agência Reuters. Sim, este Papa é diferente: dá entrevistas a órgãos de comunicação social que não apenas os da Cúria Romana. E o que disse, Francisco? O Papa não disse. O Papa desferiu o maior ataque contra a Cúria da Santa Sé, em 2 mil anos de Igreja. O Papa afirmou, pela enésima vez, que não tenciona renunciar. Começou por dizer na entrevista que estava vivo. Afirmou que os médicos não lhe disseram que tinha cancro. E disse que as notícias sobre o cancro e a renúncia tinham saído dos “mexericos da corte” e disse mais: o Vaticano é a última monarquia absoluta da Europa. Moral da história: andam a fazer a vida negra ao Papa. Quem?

Francisco diz que é a “corte”. O que é a “corte”? Explico: a “corte” é a ala mais conservadora do Vaticano, a começar pelos cardeais Italianos, que nunca gostaram do Papa e que estão a fazer tudo para correrem com o Homem. Porquê: o Cardeal Jorge Bergoglio é sul-americano. É argentino. É jesuíta. Mais: mandou investigar os pedófilos todos da igreja. Ordenou expulsões. Defendeu a ideia de julgamentos civis. Abriu a Igreja aos leigos. Inaugurou um novo diálogo inter-religioso. Acabou com a falta de transparência do Banco do Vaticano. Mais recentemente, ordenou a elaboração de uma nova Constituição para a Santa Sé que altera, redefine ministérios e por aí em diante. Uma revolução.

Perante isto,  a “corte” lançou uma ofensiva de bullying ao Papa. É o que ele quer dizer quando responsabiliza os “mexericos da corte” pelas notícias de que está canceroso e de que vai renunciar. Santo Padre!

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