Papa diz que jovens são "prisioneiros dos telemóveis"

Agência Lusa , BMA
6 dez 2021, 10:33

Durante a visita a Atenas, na Grécia, Francisco aconselhou os jovens a reconhecerem o seu próprio valor, que não deve ter origem na marca de roupa ou de calçado

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O Papa alertou, nesta segunda-feira, que muitos jovens "estão nas redes sociais, mas não são muito sociáveis", vivendo "prisioneiros dos seus telemóveis".

“Corremos o risco de esquecer quem somos, obcecados por milhares de aparências, por mensagens esmagadoras que fazem a vida depender das roupas que vestimos, do carro que conduzimos, da maneira como os outros nos olham”, alertou Francisco, no pavilhão desportivo da escola internacional de São Dionísio das monjas ursulinas de Atenas, na Grécia, diante de jovens, professores e religiosos, sentados à distância devido às medidas de combate à covid-19.

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Francisco aconselhou os jovens a reconhecerem o seu próprio valor, por aquilo que são e não por aquilo que possuem.

“Não tens valor pela marca de roupa ou calçado que usas, mas porque és único, és único", sublinhou o Papa.

Redes sociais não é o mesmo que sociáveis

Francisco deu como exemplo uma passagem da Odisseia de Homero, nomeadamente quando o personagem Ulisses encontra as sereias durante a sua jornada e estas atraem os marinheiros com os seus cantos para os fazerem chocar contra os recifes.

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As sereias de hoje “querem hipnotizá-los com mensagens sedutoras e insistentes” e “visam o lucro fácil, as falsas necessidades do consumismo, o culto ao bem-estar físico, a diversão a todo o custo”, disse.

“Queres fazer algo novo na vida? Queres rejuvenescer?” perguntou Francisco.

“Não te contentes em publicar um ‘post’ ou um ‘tweet’. Não te contentes com encontros virtuais, procura os reais, principalmente com aqueles que precisam de ti; não procures visibilidade, mas sim os invisíveis. Isto é original, isto é revolucionário”, afirmou.

Para o Papa, atualmente muitos jovens “estão nas redes sociais, mas não são muito sociáveis, encerrados em si mesmos, prisioneiros do telemóvel que têm nas mãos”. “No ecrã falta o outro, os seus olhos, a sua respiração, as suas mãos", insistiu.

“O ecrã facilmente se torna um espelho, onde tu pensas que estás diante do mundo, mas na realidade estás sozinho num mundo virtual cheio de aparências, de fotos alteradas para ficarem sempre lindos e em forma”, disse.

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O Papa pediu-lhes que saíssem “das suas zonas de conforto" porque, embora "seja mais fácil sentar-se no sofá em frente à televisão", isso é "algo de velhos".

"Ser jovem é reagir, abrir-se quando se sente só, procurar os demais quando vier a tentação de se fechar”, acrescentou.

"Sonhem grande! Sonhem juntos"

Aos jovens, o Papa deu um último conselho. 

"Sonhem grande! E sonhem juntos! Mesmo que haja sempre alguém que vos diga: ‘deixem estar, não arrisquem, é inútil’". O Papa considerou estes últimos “como anuladores de sonhos, assassinos da esperança, nostálgicos incuráveis do passado”.

Com esta iniciativa, o Papa Francisco despediu-se da Grécia, onde chegou no sábado passado vindo Chipre, na sua 35.ª viagem, que foi marcada principalmente pela denúncia da indiferença dos países europeus perante o problema das migrações.

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