Melhor ou pior: internamentos aumentaram 55% desde o início do ano mas estão muito abaixo de 01/2021

10 jan, 18:46
Melhor ou pior - comparação a 10 de janeiro de 2022

Em nove dias, há mais 565 internados nos hospitais portugueses, incluindo mais 19 em UCI. Números continuam muito abaixo dos de há um ano, mas estão a aumentar

Portugal tinha ontem 1588 internados por Covid-19, mais 565 do que aqueles que se verificavam a 31 de dezembro de 2021. O aumento é de 55,2% em nove dias, para um nível que ainda é francamente menor do que aquele que se verificava há um ano. Nas unidades de cuidados intensivos (UCI), o aumento desde o início do ano é menor: mais 19 pacientes, para um total de 161 no dia 9 (segundo os dados publicados dia 10), ou mais 13,4%.

Recorde-se que, na semana passada, o primeiro-ministro desvalorizou o impacto do número de internados na capacidade hospitalar, quando afirmou na quinta-feira que “temos neste momento no nosso sistema hospitalar cerca de 16 mil pessoas internadas e menos de 10% são doentes covid-19”. Naquele dia estavam internadas 1353 pessoas, número que aumentou todos os dias desde então, mas para proporções ainda na casa dos tais “menos de 10%” do total das hospitalizações. Também em UCI, os dados globais não põem ainda em causa a capacidade disponível.

Número de testes já significa menos no número de infetados

Olhando para a última semana (de 3 a 9 de janeiro, inclusive) e comparando com a mesma semana do ano passado, continua a verificar-se que o aumento do número de infetados não tem correspondência nos hospitais. Mas verifica-se também que o aumento do número de testes já é o suficiente para explicar o número de infetados.

Os portugueses continuam a realizar muitos mais testes este ano, numa média de 248 mil testes diários nos últimos sete dias, o que é mais de cinco vezes os cerca de 47 mil testes diários realizados de há um ano. Essa é uma das razões que tem sido apontada como causa de tantos infetados, muitos deles assintomáticos: mais de 32 mil em média em cada um dos últimos sete dias, o quádruplo dos pouco mais de oito mil infetados na mesma semana de 2021.

Contudo, quando se compara o número de infetados por testes realizados, verifica-se uma proporção de 13% este ano (ou seja, um infetado por quase cada sete testes realizados), o que compara com uma proporção de 17% (ou seja, um infetado por quase cada seis testes realizados) há um ano. A proporção continua a ser menor este ano, mas a diferença estreitou-se.

Note-se que a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Na mesma comparação, continua a verificar-se muito menos gravidade também do ponto de vista dos óbitos: foram na última semana 81% abaixo dos verificados na mesma semana de há um ano.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado. Fá-lo para medir não apenas valores absolutos, mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado. Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada, mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada, mas é menos grave nesta semana de arranque do ano.

Nota adicional: a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,3% entre internados e infetados, isso não significa que 4,3% dos infetados sejam internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana havia uma média de 4,3% de número de internados. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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