Portugueses já estão a testar menos para a covid-19

8 fev, 16:34
Melhor ou pior - 8 de fevereiro de 2022

Número de testes em Portugal cai pela primeira vez desde o natal. Pico da 5ª vaga pode mesmo estar para trás

Os portugueses realizaram 1,4 milhões de testes à covid-19 na última semana, ou uma média de 202 mil em cada um dos últimos sete dias (de 1 a 7 de fevereiro). Este valor é o mais baixo das médias semanais desde as vésperas de natal: na semana anterior (25 a 31 de janeiro), por exemplo, foram realizados dois milhões de testes. A queda de uma semana para a outra foi, pois, de 30%.

Os números de testes realizados são muito mais altos nesta 5ª vaga do que foram em janeiro do ano passado, durante a 3ª vaga: foram realizados quase oito milhões de testes em todo o mês de janeiro deste ano, contra 1,6 milhões no mesmo mês de 2021. Isto considerando apenas os testes PCR e os testes antigénio: os autotestes não são registados pela DGS.

A maior parte dos testes realizados são antigénio. Ontem, dia 7 de fevereiro, por exemplo, foram realizados 173 mil testes, dos quais 127 mil foram antigénio e 46 mil foram PCR.

A par da redução do número de testes, verifica-se também uma redução do número de infetados. Nos últimos sete dias, foram confirmados 273 mil casos positivos, uma média de 39 mil por dia. Na semana imediatamente anterior, tinham sido detetados 378 mil casos, uma média de 54 mil por dia. A queda de uma semana para a outra foi de 28%.

A redução do número de infetados numa semana (28%) está assim quase em linha com a redução de testes (30%).

Daqui resulta que a proporção entre testes realizados e infetados permanece semelhante: foi de 19,4% na última semana.

Estes valores podem ser verificados na tabela realizada pela CNN Portugal, que compara os últimos sete dias com a mesma semana de 2021, confirmando que a 5ª vaga teve muitos mais casos de infeção, como de testes realizados, mas é muito menos grave:


Estes dados estão de acordo com a previsão feita na última semana de que o pico da 5ª vaga pode mesmo já estar para trás. Ela terá ocorrido a 26 de janeiro. Desde esse dia, o ritmo de novos casos tem vindo a descer. Mas, segundo o matemático Carlos Antunes, ainda não se pode falar em fase endémica da doença, porque ainda há muitos infetados.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar há várias semanas esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado.

Fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado.

Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada mas é menos grave em janeiro e início de fevereiro de 2022 do que era um ano antes.

Notas: a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Da mesma forma, a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se ainda que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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