Melhor ou pior: ultrapassámos as 30 mortes diárias, mas morre-se menos cinco vezes que há um ano

17 jan, 16:56
Melhor ou pior 17 de janeiro de 2022

Portugal continua com (muito) mais casos mas (muito) menos internamentos do que há um ano. A percentagem de casos positivos aumenta e o número de mortes ultrapassou as 30 diárias

Portugal registou no boletim da covid-19 divulgado esta segunda-feira uma das maiores subidas nos internamentos. Mais 125 pessoas foram hospitalizadas em 24 horas, trazendo o número total para perto dos dois mil. Ao todo, são 1.938 pessoas hospitalizadas, número que, ainda assim, não se compara ao registado há um ano. Pela mesma altura, em 2021, 4.889 pessoas estavam internadas, dado 2,5 vezes superior ao período homólogo.

Mais elevado continua também o nível de infeções, que, ainda assim, não se materializa numa subida de internamentos ao nível da registada no ano passado, que registava valores diários superiores a 200 hospitalizações.

Assim, o número de infetados não se materializa no entanto em mais internamentos, o que confirma que a gravidade é agora menor. Ainda assim, o aumento do número de testes já não explica tudo. A menor virulência da variante Ómicron e a vacinação sim.

Analisando a última semana (os sete dias de 10 a 16 de janeiro, sempre reportados no dia seguinte), verificou-se uma média de 35.198 casos de infeção, face a uma média de 241.779 testes realizados diariamente. Na mesma semana de há um ano, foi registada uma média de 9.445 casos diários, em 51.886 testes realizados por dia.

Comparando, vê-se que nesta semana deste ano há uma proporção (que não é tecnicamente a taxa de positividade, mas é uma aproximação) de 14,6%, ou seja, mais de 14 casos positivos face a cada 100 testes. Esta proporção tem vindo a subir desde o início do ano (era de 8,6% na semana até 3 de janeiro) e já se aproxima da proporção de há um ano (foi de 18,2% na semana de 7 a 13 de janeiro de 2021).

Isto permite concluir que já não é só o aumento de testagem que explica a subida dos números de infetados.

Tendência que se mantém é a de menor gravidade da pandemia este ano face às mesmas semanas de janeiro de 2021, quando a terceira vaga já escalava entre nós (a 16 de janeiro do ano passado morreram 152 pessoas por covid-19, por exemplo, contra 31 óbitos a 16 de janeiro deste ano). De verificar que, neste ponto, Portugal apresenta nos últimos dias (de 13 a 16 de janeiro) números sempre superiores a 30 mortes, o que ainda não tinha acontecido este ano.

É ao nível dos óbitos e dos internamentos que se confirma a menor gravidade. Em média, apesar de o número de óbitos estar a crescer, ele foi na última semana 81% inferior ao verificado na mesma semana de 2021. Já a média de internamentos é 61% menor do que então, sendo 73% menor em Unidades de Cuidados Intensivos.

Na prática, e analisando as semanas de 10 a 16 de janeiro de 2021 e 2022, morre-se, em média, 5,2 vezes menos no presente ano, que tem 2,5 vezes menos internados e 3,7 vezes menos hospitalizados em Unidades de Cuidados Intensivos.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado. Fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado. Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada mas é menos grave neste início de janeiro de 2022 do que era um ano antes.

Notas: a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Da mesma forma, a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se ainda que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,6% entre internados e infetados, isso não significa que 4,6% dos infetados sejam internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana havia uma média de 4,6% de número de internados. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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