Ómicron pode ser o fim da fase pandémica da covid-19 - a menos que aconteça um determinado cenário, diz Fauci

CNN , Holly Yan
20 jan, 08:13
Ómicron. Foto: AP

Ainda é demasiado cedo para prever se a propagação rápida da Ómicron irá ajudar a levar o coronavírus da fase pandémica para uma fase endémica mais controlável, mas “espero que seja esse o caso”, disse Anthony Fauci, o principal epidemiologista do governo norte-americano, na segunda-feira.

Uma doença endémica tem uma presença constante numa população, mas não afeta um número de pessoas preocupantemente grande nem perturba a sociedade, como é comum acontecer numa pandemia.

Uma vez que a Ómicron é altamente transmissível, mas parece ser menos provável que provoque doença grave do que algumas variantes anteriores, pode assinalar a transição deste capítulo pandémico da covid-19 para uma fase endémica.

“Mas isso só acontece se não surgir outra variante que escape à resposta imunitária da variante anterior”, disse Fauci à Agenda Davos, um evento virtual realizado esta semana pelo Fórum Económico Mundial.

“Tivemos sorte” por a Ómicron não partilhar algumas das características da Delta, disse Fauci. “Mas o volume de pessoas que estão a ficar infetadas consegue superar o nível patogénico bastante inferior.”

“Está em aberto se a Ómicron vai dar-nos a vacina de vírus vivo que toda a gente espera porque há uma grande variabilidade nas novas variantes que surgem”, disse ele.

Isso não significa que as pessoas devem intencionalmente tentar apanhar a variante Ómicron. Os médicos dizem que é uma péssima ideia por várias razões.

Escolas debatem-se com surto de Ómicron

Esta semana, mais agrupamentos escolares nos Estados Unidos – desde Paterson, na Nova Jérsia, a Mobile, no Alabama – passaram para o ensino virtual porque a variante Ómicron exacerbou a falta de pessoal.

No Texas, todas as escolas e gabinetes do Agrupamento Escolar Independente de Houston foram encerrados na terça-feira, anunciou o agrupamento no seu website. Está previsto as aulas retomarem na quarta-feira.

O agrupamento incentivou os alunos e o pessoal a tirarem “um dia a mais para mitigar uma potencial exposição”.

Mas o autarca de Nova Iorque enfatizou que as salas de aula do maior agrupamento escolar do país vão permanecer abertas, e referiu “boas notícias” na luta da cidade contra a covid-19.

“Ainda não ganhámos”, disse o Mayor Eric Adams na terça-feira, “mas estamos a ganhar”.

Os internamentos por covid-19 nos Estados Unidos desceram de 6500 a 11 de janeiro para cerca de 5800 a 16 de janeiro, disse o Delegado de Saúde da cidade, David Chokshi.

Mas Chokshi avisou que os números de covid-19 continuam elevados, e reforçou a necessidade de tomar a vacina.

Apesar de o ensino à distância não ser possível para todo o agrupamento, o autarca disse que o município está em conversações com o sindicato dos professores acerca da possibilidade de haver uma opção à distância para as crianças doentes que estão em isolamento em casa.

Entretanto, na Virgínia, a obrigatoriedade de usar máscara nas escolas está debaixo de fogo.

Referindo a “liberdade individual” e a disponibilidade de vacinas para crianças em idade escolar, o recém-empossado Governador Glenn Youngkin emitiu um decreto executivo a afirmar que os pais podem decidir se os filhos usam máscara nas aulas, afastando-se do decreto de emergência de saúde pública do seu antecessor em agosto para utilização de máscaras nas escolas.

Vários agrupamentos na região norte de Virgínia e na zona metropolitana de Richmond anunciaram que vão rejeitar o decreto, com entrada em vigor prevista para 24 de janeiro.

“As nossas estratégias de prevenção têm-se revelado eficazes na manutenção de índices de transmissibilidade baixos nas nossas escolas”, disse Scott Brarand, Supervisor das Escolas Públicas do condado de Fairfax, numa carta à comunidade escolar.

“A utilização universal de máscara provou ser eficaz para manter os índices de transmissão da covid-19 baixos nas escolas e para garantir que as escolas se mantêm seguras e abertas”, leu-se numa declaração das Escolas Públicas de Arlington sobre a sua decisão.

E um e-mail das Escolas Públicas do Condado de Henrico aos pais e encarregados de educação dizia que “A utilização de máscara é uma componente crucial das medidas de prevenção da divisão”, notando ainda que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças recomenda a utilização de máscaras nas escolas e que a lei federal exige que se use máscara nos autocarros escolares.

Avançam os progressos nas vacinas futuras

Há novas vacinas em desenvolvimento para se conseguir antecipar as novas variantes.

Em março, a Moderna deve ter dados disponíveis sobre a sua nova vacina específica para a variante Ómicron da covid-19, disse na segunda-feira o CEO da empresa, Stéphane Bancel.

“Deve estar na fase clínica nas próximas semanas. E apontamos para março para conseguirmos partilhar os dados com os reguladores para decidir os passos seguintes”, disse ele num painel de discussão em Davos.

Uma vacina de reforço da Moderna combinada para a covid-19 e a gripe pode também estar disponível em alguns países no outono de 2023, disse Bancel, mas avisou que essa data apontada é “no melhor dos casos”.

Os médicos dizem que as vacinas para a covid-19 e as doses de reforço são a maneira mais eficaz de evitar complicações graves da doença.

As doses de reforço têm mostrado com sucesso a sua capacidade para aumentar os níveis de anticorpos das pessoas meses após a inoculação inicial, ajudando a manter fora do hospital aqueles que têm um risco maior.

Dados iniciais vindos de Israel sugerem que uma quarta dose da vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna podem resultar no aumento de anticorpos – mais do que aquilo que se verificou após a terceira dose – mas pode ainda não ser o suficiente para proteger de possíveis infeções resistentes provocadas pela Ómicron.

Em dezembro, Israel começou a fazer testes com a quarta dose das vacinas para o coronavírus em pacientes saudáveis antes da disponibilização do reforço adicional para a população de risco, assinalando assim o primeiro estudo do género com pessoas saudáveis que recebem a quarta dose.

“Acho que a decisão de permitir a quarta dose da vacina a pessoas vulneráveis pode ser correta”, disse na segunda-feira Gili-Regev Yochay, diretora da Unidade de Prevenção e Controlo de Infeções do Centro Médico Sheba, sobre os dados. “Pode trazer algumas vantagens, mas talvez não o suficiente para apoiar a decisão de a administrar a toda a população, diria eu.”

Veja também o vídeo: Mais de 9 mil casos de covid-19 diários entre as crianças depois do regresso às aulas

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