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Trump teve uma conversa "dura" com "a maravilhosa" Pam Bondi - demitiu-a. Mas foi dito a Bondi que vai ter novo cargo - juíza, por exemplo

CNN , Kristen Holmes, Kaitlan Collins e Hannah Rabinowitz
2 abr, 18:28
Pam Bondi e Donald Trump (AP)

Pam Bondi era até aqui procuradora-geral

O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu Pam Bondi do cargo de procuradora-geral, revelou à CNN uma fonte próxima do processo. Segundo a mesma fonte, Pam Bondi será substituída, por enquanto, pelo procurador-geral adjunto Todd Blanche.

Trump tinha falado nos últimos dias com aliados sobre a possibilidade de demitir Bondi e conversou pessoalmente com a procuradora sobre essa possibilidade na quarta-feira, segundo apurou a CNN. Uma fonte indicou à CNN que essa conversa foi "dura" e que Trump disse a Bondi que não iria permanecer muito mais tempo no cargo e que a substituiria num futuro próximo.

Segundo as mesmas fontes, foi dito a Bondi que lhe seria atribuído um cargo diferente mais tarde. Duas fontes referiram que, na conversa, Trump sugeriu a possibilidade de a nomear juíza após a sua saída do Departamento de Justiça.

Bondi esteve presente no discurso de Trump à nação na quarta-feira. 

Segundo várias fontes, Trump tem-se mostrado frustrado com Bondi em várias ocasiões. Em particular, o presidente está descontente com a forma como Bondi lidou com os processos relativos a Jeffrey Epstein e também se mostrou indignado pela procuradora não ter investigado ou processado suficientemente os seus adversários políticos.

Um dos assuntos que chamou a atenção de Trump é uma investigação para apurar se o ex-diretor da CIA John Brennan prestou falsas declarações ao Congresso sobre uma avaliação dos serviços secretos, de há vários anos, relativa à interferência russa nas eleições de 2016. Procuradores de carreira em Miami adiantaram a funcionários do Departamento de Justiça que não consideram o caso sólido, mas continuam a trabalhar no sentido de possíveis acusações no tribunal federal de Washington, D.C., como a CNN já tinha noticiado anteriormente.

Bondi convocou a procuradora-geral de Miami, responsável pela investigação, a Washington D.C., na quarta-feira, para discutir o andamento do caso e a sua convicção de que a investigação estava a ser protelada, segundo uma fonte próxima do assunto.

Algumas fontes indicam que a reunião foi vista por alguns membros do Departamento de Justiça como uma tentativa de mostrar que Bondi continua a levar a cabo investigações que são uma prioridade para o presidente.

A falta de sucesso na execução da campanha de retaliação desejada por Trump nem sempre se deveu à falta de esforço. O Departamento de Justiça tinha conseguido acusações contra o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova Iorque Letitia James, mas ambas foram rejeitadas depois de um juiz ter decidido que o procurador estava a agir ilegalmente.

Embora Todd Blanche assuma a liderança do departamento por enquanto, fontes revelaram à CNN que Trump está a ponderar substituir Bondi pelo administrador da Agência de Proteção Ambiental, Lee Zeldin, estando também outros nomes a ser considerados. Numa declaração na quarta-feira, em resposta às notícias de que Trump teria ponderado substituir Bondi, o presidente afirmou: "A procuradora-geral Pam Bondi é uma pessoa maravilhosa e está a fazer um bom trabalho."

A possibilidade de substituir Bondi por Zeldin surgiu pela primeira vez em janeiro, mas acabou por esmorecer à medida que a cobertura do caso Epstein foi desaparecendo das notícias. Mas os rumores de que Trump queria substituir Bondi por Zeldin começaram a circular novamente na segunda-feira. E, nos últimos dias, segundo várias fontes, Bondi perguntou em privado aos seus colegas se achavam que era verdade que o seu cargo estava em risco, indicando que ela não tinha a certeza da sua posição junto do presidente.

Alguns membros do círculo próximo de Trump já se mostravam há muito descontentes com a forma como Bondi lidava com os ficheiros Epstein, acreditando que as suas declarações sobre o assunto contribuíam para dar a impressão de que a administração estava a ocultar indevidamente documentos ao público.

Muitos ficaram frustrados, em particular, pelo facto de Bondi ter afirmado, numa entrevista à Fox News em fevereiro de 2025, que uma lista de clientes de Epstein estava "mesmo" na sua secretária "para análise". O departamento afirmou posteriormente que tal lista não existia. Bondi esclareceu depois que se referia a toda a documentação relacionada com a investigação a Epstein, como registos de voos, e não a uma lista específica de clientes.

Bondi enfrenta uma intimação da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes para testemunhar sobre o caso Epstein ainda este mês. Quando compareceu voluntariamente perante o painel em meados de março, os legisladores democratas abandonaram a sala ao fim de meia hora. Mas os republicanos permaneceram e fizeram perguntas, e o presidente do Partido Republicano, James Comer, afirmou posteriormente que já não via necessidade de ela regressar e testemunhar sob juramento.

"Pessoalmente, não vejo qualquer razão para ela prestar depoimento"; afirmou, na altura, o republicano do Kentucky.

Nas últimas semanas, Bondi tem passado mais tempo com Trump, acompanhando-o ao Tribunal Supremo para as alegações orais no caso da cidadania por direito de nascimento, na quarta-feira. Esta é uma abordagem oposta àquela que tem sido adotada por outros altos funcionários da primeira administração Trump, que reduziram o tempo que passavam com o presidente quando perceberam que ele estava a ficar insatisfeito com o seu trabalho.

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