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Investigação CNN: redes de imigração ilegal usam inscrições no ensino superior

10 fev 2022, 18:00

Polícia Judiciária e SEF investigam. alerta foi dado pelos Institutos Politécnicos, que viram o número de candidatos de alguns países de língua oficial portuguesa aumentarem sem qualquer explicação de um ano para o outro. Muitos dos candidatos aceites nunca aparecem nas aulas

Em Portugal há cerca de 65 mil estudantes internacionais espalhados por todo o país, a grande maioria nos Institutos Politécnicos. Mas, desde há três anos, o elevado número de candidaturas de alguns países de língua oficial portuguesa intriga instituições de ensino e autoridades.

Carlos Rodrigues, vice-presidente do Instituto Politécnico da Guarda, alertou as autoridades, ao reparar que o número de candidatos de alguns países tinha aumentado de cerca de uma dezena para os milhares.  "Foi um motivo de preocupação e de alarme que foi transmitido às autoridades. Se há redes instaladas para explorar, se há angariadores... não sabemos", diz este responsável, sublinhando que estas dúvidas podem "impedir os verdadeiros estudantes que querem vir para cá estudar sejam privados dessa possibilidade por outros que não têm esse interesse".

A lista das nacionalidades das candidaturas no Politécnico da Guarda não deixa margem para dúvidas. No ano letivo de 2014/15 o politécnico recebeu 30 candidaturas, no ano letivo de 2018/19 teve mais de 2.500, das quais 949 da Guiné Bissau. "Agora já são quase cinco mil só deste país", revela o vice-presidente do Politécnico da Guarda. 

Também há casos de documentos falsos e alunos que depois de entrarem desaparecem. No Politécnico de Tomar, por exemplo, há três anos houve 900 candidaturas de um só país. Dessas, houve 500 que se inscreveram, mas apenas 100 apareceram.

Nos últimos três anos, o processo de candidatura dos estudantes estrangeiros tem sido acompanhado pela Polícia Judiciária e pelo SEF - Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que confirmou à CNN Portugal que está a investigar este caso. Em causa podem estar redes de auxílio à emigração ilegal.

Vladimir de Pina, agente imobiliário guineense, convive com a comunidade estudantil guineense na zona de Coimbra e reconhece que há alunos que aproveitam a oportunidade para deixar o país: "Estão a fugir de muita coisa lá no país, para ser alguém na vida", diz.

Há alunos que referem que há pessoas que acabam por desistir dos cursos porque não têm condições económicas para continuar, ou que não voltam para os seus países devido aos problemas políticos, económicos e sociais.

No entanto, Patrício Mendes, presidente da Associação Estudantes Guineenses do Instituto Politécnico da Guarda, considera que a maioria dos "estudantes vem cá para fazer a sua formação e a fim de voltar para o nosso país e dar a sua contribuição para o desenvolvimento do seu país".

As autoridades concordam que estes casos são a exceção e não definem a grande comunidade de estudantes, principalmente dos PALOP que vêm para Portugal estudar. 

Desconhece-se o que acontece aos que não voltam. Se acabam a trabalhar para as obras, na prostituição ou se partem para outros países da Europa. É isto que o SEF está a investigar.

Para além do Governo guineense, pedimos uma entrevista ao organismo coordenador dos Institutos Politécnicos, o CCSIP, que recusou e enviou um comunicado com informações que deduziu serem as pretendidas. Fica muito por perguntar e ainda mais por responder. 

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