Antigo jogador do Palmeiras considera que o treinador português se deve focar em «fazer a equipa jogar de outras maneiras»
Depois do empate consentido pelo Palmeiras, no Paraguai, frente ao Cerro Porteño (1-1), para a Libertadores, Abel Ferreira criticou de forma contundente o estado do relvado do Estádio General Pablo Rojas, onde a partida se desenrolou.
«Foi a primeira vez na minha vida que vi algo assim. Tenho muitos anos de futebol, mas têm de perguntar à CONMEBOL. Sabem em que século estamos?», atirou o técnico português, após o encontro.
Quem parece cansado com os reparos de Abel quando os resultados não aparecem é Felipe Melo, que foi internacional pelo Brasil e representou o Palmeiras entre 2017 e 2021.
Não que o tema das condições do relvado não seja pertinente. «A não ser que não molhassem o campo, com a relva alta e o campo seco, dificultaria um pouco mais», começou por dizer o ex-jogador, mas, «se faz parte do regulamento, [Abel] não tem de reclamar de nada».
«No século XXI, como ele diz, fica a reclamar sempre que o resultado não aparece. O Abel tem de fazer uma autocrítica e não perder energias nisto. Tem de colocar as energias no que realmente importa, que é fazer a equipa jogar de outras maneiras», comentou o antigo médio, hoje com 42 anos, na Sport TV brasileira.
«O Abel é um multicampeão, um dos melhores treinadores que temos no mundo, mas precisa de melhorar um pouco nisto. O Palmeiras é uma equipa supercompetitiva e tem vencido jogos e campeonatos com essa competitividade, mas tem de acrescentar algumas coisas [ao seu jogo]. Porque já há algum tempo que só a competitividade não traz uma Libertadores ou uma Copa do Brasil para o Palmeiras. É uma equipa muito forte para jogar só de uma maneira», notou.
Felipe Melo considerou ainda «um erro da presidente em colocar Abel como intocável, porque ninguém é maior do que o clube», e criticou o facto de o português ter dito que vai deixar de ser «escudo» em questões extrajogo.
«Ele é empregado do clube e ganha muito bem. Tem um dos maiores salários do mundo, com mérito porque é um grande treinador, mas tem de ser escudo [do clube] até acabar o contrato com o Palmeiras», sublinhou Felipe Melo.
