"Figuras muito significativas no mundo" pediram a Cosgrave para cancelar Noam Chomsky na Web Summit Lisboa. Resposta: "No way"

Agência Lusa , BC
3 nov, 16:03
Paddy Cosgrave (JOSE SENA GOULAO/LUSA)

Paddy Cosgrave revelou pormenores sobre os bastidores do evento

O presidente executivo da Web Summit revelou esta quinta-feira que foi pedido o cancelamento da participação do linguista Noam Chomsky, o que foi negado, afirmando esperar que o evento continue a ser "uma espécie de Suíça".

Paddy Cosgrave respondia, em conferência de imprensa, no terceiro dia daquela que é considerada a maior cimeira tecnológica, a uma questão relativa à retirada do convite da Grayzone, site de notícias apontado como pró-russo.

"Todos os anos, e talvez tenha começado com o Edward Snowden, há pessoas no Web Summit que são consideradas ofensivas, veículos de desinformação, como alguns países os viam", afirmou o cofundador da Web Summit.

No entanto, "eu espero que a Web Summit possa continuar a ser uma espécie de Suíça durante dois a três dias", prosseguiu.

Mas todo este tema "é complexo", considera, defendendo que "todas as pessoas devem poder discordar" e "discordar ferozmente", referindo que há "uma longa, difícil, reflexão" este ano sobre o tema.

E decidiu tornar público o seguinte: "Foi-nos pedido por figuras muito significativas no mundo de hoje para cancelar Noam Chomsky e nós dissemos: 'No way' [Nem pensar]"

Paddy Cosgrave não revelou os autores do pedido.

Noam Chomsky, que é linguística, filósofo, cientista cognitivo, crítico social e ativista, autor de várias obras, e conhecido como "pai da linguística moderna", como é descrito pela própria Web Summit, será orador no último dia do evento, na sexta-feira, onde irá abordar o tema "Debunking the great AI lie" [Desmascarar a grande mentira da IA].

Relativamente à Web Summit Rio, que terá lugar na cidade brasileira no próximo ano, Cosgrave referiu tratar-se de uma "notável cidade", recordando que foi palco de grandes eventos como os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol, tendo infraestruturas "grandes e gigantes" no local.

"Espero que se torne a plataforma de negócio mais poderosa para as empresas brasileiras" se encontrarem com outras de todo o mundo, afirmou.

Já sobre a polémica que envolve Elon Musk e o Twitter, uma vez que Paddy Cosgrave utiliza esta rede social com frequência, considerou uma espécie de novela.

"Se tenho alguma opinião a acrescentar à montanha de opiniões das acusações que Elon Musk fez ao Twitter? Não. Mas adoro o drama, o Truman Show ou as Kardashian em esteróides, é o maior programa no mundo neste momento, é uma prenda para os jornalistas", afirmou Cosgrave.

Aliás, "não consigo imaginar quantas palavras têm sido escritas sobre Elon Musk nas últimas três semanas, é provável que vá continuar assim", acrescentou o presidente executivo da Web Summit.

A Web Summit, que realiza este ano a sétima edição, atingiu o seu máximo de capacidade com 71.033 participantes de 160 países, com o maior número de sempre de 'startups' e de investidores.

Criada em 2010 na Irlanda, a cimeira tecnológica realizou-se pela primeira vez, em Lisboa, em 2016, e por cá vai continuar até 2028, pelo menos.

Dos 1.050 oradores presentes nesta edição, 34% são mulheres, a mesma percentagem que em 2021.

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