Montenegro admite: "Crescimento económico, emprego e segurança" estão em causa com as tarifas de Trump e a guerra na Ucrânia

10 abr 2025, 14:23
Luís Montenegro (Lusa)

Em declarações ao país após a reunião do Conselho de Ministros, Luís Montenegro expressou a necessidade de Portugal investir na Defesa e anunciou um pacote de medidas para fazer face às tarifas de Trump. No entanto, os apoios podem não chegar a todos

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quinta-feira, em declarações ao país, que "o mundo como várias gerações de portugueses o conheceu" mudou. Falando naturalmente sobre as tarifas de Donald Trump, mas também nas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, Luís Montenegro admitiu que o crescimento económico, o emprego e a segurança estão em causa.

Para responder às tarifas aduaneiras aplicadas pelos Estados Unidos da América, o primeiro-ministro anunciou que o Governo preparou um conjunto de medidas “com um volume superior a dez mil milhões de euros”.

“O aumento de tarifas que os EUA começaram a aplicar, mas que, entretanto suspenderam, ameaça o crescimento e pode conduzir a um conflito comercial que não beneficia ninguém”, reiterou, explicando que Portugal saúda a pausa de 90 dias anunciada pelos dois lados.

De acordo com o ministro da Economia, o objetivo do "Reforçar" é dar previsibilidade às empresas, num pacote que é “obviamente acelerado e reforçado” pelos anúncios de Donald Trump. Isto porque o "Reforçar" já existia, mas, segundo Pedro Reis, é agora “aditivado” com 60% de verbas do PRR, fazendo parte da estratégia de internacionalização e sustentabilidade da economia portuguesa.

O ministro da Economia lembra que “estamos longe da estabilização”. E é por isso que “este pacote vai ser implementado independentemente do que venha a acontecer nos próximos rounds de negociação” entre União Europeia e Estados Unidos.

Segundo Pedro Reis, ainda não é ainda possível saber se as 300 mil empresas do tecido português vão ter benefícios, sendo que o principal foco são aquelas que têm maior relação comercial externa, as que dependem mais de exportações, nomeadamente para os Estados Unidos. Ou seja, o Governo não garante que os apoios cheguem a todos. 

Já sobre a aplicação da suspensão de tarifas de ambos os lados, Pedro Reis admitiu que as taxas alfandegárias colocam uma perspetiva negativa na economia mundial, podendo mesmo “mitigar o crescimento” na União Europeia. Ainda assim, e não se sabendo um cenário final, o Governo defende que é de uma resposta como a de Bruxelas que “precisamos”.

“Estamos completamente de acordo com a política europeia”, apontou.

Neste sentido, Luís Montenegro quer um caminho para o comprometimento no investimento em Defesa, que não pode ser entendido como uma despesa, mas como esse mesmo investimento. Desta forma, anunciou a antecipação da meta de atingir 2% do Produto Interno Bruto com o investimento na Defesa, cujo objetivo era alcançar em 2029.

"Assim exige o interesse nacional e assim impõe o compromisso internacional com a NATO e a União Europeia", justificou. 

O primeiro-ministro alertou que há vários fatores de instabilidade na atualidade. Luís Montenegro falou especificamente sobre a relação com os Estados Unidos, lembrando que ambos os países são fundadores da NATO. O primeiro-ministro não quer esquecer os grandes aliados estratégicos, mas, por vezes, “até com os nossos grandes amigos temos algumas divergências”.

O primeiro-ministro defendeu ainda que o quadro de atual incerteza mundial agravado pela crise das tarifas “é mesmo o momento de ter adultos na sala”, avisando para a “impreparação e precipitação de alguns agentes nacionais”. Luís Montenegro defendeu que “não é tempo de aventuras” e que “nunca a estabilidade, a experiência, a prudência e a maturidade política foram tão decisivas”.

“Como diz o povo, é mesmo o momento de ter adultos na sala. Sem alarmismos, sem precipitações, estamos preparados e tomaremos as decisões necessárias para lidarmos o melhor possível com esta situação desafiante”, afirmou o primeiro-ministro.

A pouco mais de um mês de legislativas antecipadas, Montenegro considerou que o país não pode “acrescentar à incerteza e ao risco externo e internacional a irresponsabilidade, a precipitação e a impreparação de alguns agentes nacionais”.

“Os portugueses não esquecem o défice descontrolado e a dívida galopante ou o desemprego elevado, causados por receitas ilusórias que depois impuseram um enorme sacrifício para que fossem ultrapassadas. Por isso, não abdicamos de contas certas, nem vendemos ilusões que amanhã nos possam sair mais caras”, frisou.

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