Ataques dos EUA a embarcações por alegado narcotráfico já mataram pelo menos 117 pessoas
O Exército dos EUA realizou um ataque contra mais uma embarcação supostamente envolvida com tráfico de drogas no Oceano Pacífico Oriental na sexta-feira, matando duas pessoas e deixando um sobrevivente, de acordo com o Comando Sul dos EUA.
“Em 23 de janeiro, sob a direção do Secretário de Guerra Pete Hegseth, a Força-Tarefa Conjunta Southern Spear realizou um ataque cinético letal contra uma embarcação operada por Organizações Terroristas Designadas”, escreveu o SOUTHCOM no X.
A Guarda Costeira disse à CNN em um comunicado que foi notificada pelo SOUTHCOM e está coordenando as operações de busca e resgate do sobrevivente.
Pelo menos 117 pessoas já foram mortas em ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas como parte de uma campanha, denominada Operação Southern Spear, que o governo Trump afirmou ter como objetivo reduzir o tráfico de narcóticos.
O ritmo dos ataques dos EUA diminuiu neste ano. O ataque mais recente das forças armadas ocorreu em 31 de dezembro, matando 5 pessoas.
O ataque de sexta-feira marca o primeiro ataque conhecido contra supostos barcos de narcotráfico desde a operação militar dos EUA que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e o levou para Nova York para enfrentar acusações criminais. Maduro se declarou inocente das acusações no início deste mês.
Publicamente, autoridades americanas afirmaram que o objetivo dos ataques aos barcos e do reforço militar no Caribe é interromper o fluxo de drogas para os EUA, mas funcionários do governo Trump já haviam reconhecido em privado que a campanha de pressão dos EUA visava depor Maduro.
Anteriores ataques deixaram sobreviventes
Ataques militares dos EUA contra supostos barcos de narcotráfico já deixaram sobreviventes, incluindo um ataque em 30 de dezembro, no qual um número não especificado de pessoas abandonou a embarcação.
A Guarda Costeira suspendeu as buscas por essas pessoas três dias depois.
Em outubro passado, os EUA resgataram dois sobreviventes de um ataque a um submarino no Caribe e logo depois os libertaram para os seus países de origem, Equador e Colômbia. Dois outros tripulantes morreram nesse ataque.
O controverso primeiro ataque militar dos EUA na operação, em 2 de setembro, também deixou sobreviventes. Quando um ataque inicial contra o suposto barco de narcotráfico não o afundou, os militares realizaram um segundo ataque que matou dois sobreviventes que se agarravam à embarcação virada.
Legisladores democratas pressionaram o governo Trump por respostas sobre o duplo ataque, inclusive exigindo que o vídeo fosse divulgado ao público, com alguns sugerindo que os militares dos EUA podem ter cometido um crime de guerra ao matar os sobreviventes.