Comentador da CNN Portugal fez um exercício de paralelismo entre os dois países. Rui Fonseca e Castro ou Joana Amaral Dias são outros nomes avançados
José Pacheco Pereira receia o pior depois das eleições nos Estados Unidos, temendo que o mundo, e em particular Portugal, possam não perceber a dimensão de uma vitória de Donald Trump.
O comentador de O Princípio Incerteza fala numa “situação gravíssima”. Não só para Portugal, mas para o mundo, já que a Ucrânia e a resolução da guerra pode ser um dos primeiros objetivos do presidente eleito.
Mas virando-se para dentro, e num exercício paralelo para tentar equivaler um governo de Trump à escala portuguesa, Pacheco Pereira avançou mesmo com potenciais nomes para as diferentes pastas de um executivo deste género.
Um exercício “para as pessoas perceberem com o que estão a lidar”, e que representa o que seria um governo português “constituído com os critérios de Trump”. Uma equiparação que tem por base o que as pessoas apontadas disseram e demonstraram pensar sobre os diferentes assuntos.
Assim, Pacheco Pereira começa por dizer que seriam Chega, ADN e CDS a compor este mesmo governo. “Todos eles contribuem para um governo desta natureza, tendo em conta as posições que as pessoas tomaram”, refere, deixando “um pequeno resto mais à esquerda para o PCP”.
Não havendo figura de primeiro-ministro nos Estados Unidos, o comentador não encontrou uma figura que encaixasse na plenitude nos sapatos de Donald Trump.
Um governo sem chefe, portanto, mas que tem muitos outros nomes hipotéticos. Desde logo o ministro dos Negócios Estrangeiros, pasta que Pacheco Pereira entende que ficaria bem entregue ao embaixador António Tânger Corrêa, recentemente eleito eurodeputado pelo Chega, e que até chegou a defender Donald Trump.
O Ministério da Administração Interna ficaria a cargo de Pedro Pinto, líder da bancada parlamentar do Chega, já que “as posições que ele tomou e afirmou são idênticas às posições das pessoas que vão ficar responsáveis por estes lugares”.
Para ministro da Saúde há “várias hipóteses”, a começar por Margarida Oliveira, “que esteve à frente de um movimento contra as vacinas chamado Médicos pela Verdade”. Bruno Fialho, dirigente do ADN, é outra hipótese, nomeadamente também pelas posições antivacinas.
Pacheco Pereira vê nestas pessoas um paralelo com aquilo que vai ser a administração Trump, onde o responsável pela Saúde, Robert F. Kennedy Jr., já assumiu posições contra a vacinação. Na prática, esta seria uma pasta “dominada pelos movimentos antivacinas”.
Nas fronteiras, e à imagem do que Donald Trump prometeu, também Portugal teria um “czar”, figura que seria desempenhada por André Ventura, presidente do Chega. “Tem este nome pomposo e sem dúvida dava bem para André Ventura”, refere o comentador.
O ministro da Justiça, “o mais indicado”, é Rui Fonseca e Castro, fundador do movimento Habeas Corpus que se tornou conhecido por posições negacionistas durante a pandemia de covid-19, acabando expulso da magistratura por causa dessas mesmas ideias.
Uma escolha feita à imagem dos Estados Unidos. “Pareço estar a exagerar, mas na realidade o pensamento é muito idêntico”, pontua Pacheco Pereira, que admite a continuidade de Nuno Melo no Ministério da Defesa, uma pasta onde há muita concorrência.
Isto porque, para o comentador, não é apenas o presidente do CDS e atual ministro que encaixa. Também alguns “homens que escrevem sobre política externa no Avante!” ou até o major-general Agostinho Costa, “que tem posições pró-russas”, já que este ministro seria “o principal auxiliar de uma política de abandono da Ucrânia”.
Na Cultura, “um lugar que não é muito importante nos Estados Unidos”, Pacheco Pereira vê Joana Amaral Dias na pasta, enquanto na Educação ficaria o deputado Paulo Núncio.
Na Economia Pacheco Pereira também encontra “alguma dificuldade”, mas deixaria a pasta a figuras mais radicais da Iniciativa Liberal ou da Nova Direita, num modelo “ultra, ultraneoliberal”. O único nome sugerido é Camilo Lourenço.
Para terminar, Isabel Galriça Neto, médica e ex-deputada do CDS conhecida pelas suas posições sobre o aborto, encaixaria num eventual Ministério da Família, segundo o comentador.
Ainda em O Princípio da Incerteza, Pacheco Pereira sublinhou que nenhuma destas pessoas se deve sentir "insultada", já que este foi um exercício feito pela "homologia de posições" em relação às posições dominantes na futura administração Trump.